O preço da passagem de ônibus está cara pra quem paga, barata pra quem e recebe e falta o GPS...
11/05/2016|  Autor : Assessoria|   Fonte : Assessoria



RETICÊNCIAS POLÍTCAS  -  Por Itamar Ferreira*

... a população de Porto Velho reclama, com muita razão, que o valor da passagem de ônibus de R$ 3,00 está muito cara e que o serviço, para ser classificado de ruim, precisaria melhorar muito. Não há dúvida de que toda razão assiste aos usuários.

Por outro, o Consórcio SIM que detém provisoriamente a concessão do transporte coletivo de Porto Velho reclama que a passagem estaria defasada, pois a inflação acumulada desde o último reajuste foi muito superior ao reajuste concedido e queria um valor muito maior. De fato, eles não estão mentindo.

Pode parecer contraditório, mas os dois lados tem razão. Primeira questão a esclarecer é que as chamadas gratuidades, que precisam no mínimo serem mantidas ou melhoradas, como meia passagem de estudante e idosos na verdade não é "grátis", quem banca com seu suado dinheiro essas gratuidades são os passageiros pagantes, pois no mundo empresarial não existe "almoço grátis". Dados de 2011 apontavam que do total de passageiros: 21% são estudantes, 6% de idosos e 5% deficientes; ou seja, 32% do total de usuários

A tarifa está cara para os usuários e não estaria remunerando adequadamente o sistema porque o transporte coletivo da Capital é um dos poucos de grandes cidades que não recebe incentivos através de desoneração de impostos, como no Diesel e ISS ou subsídios, que deveriam bancar as gratuidades e não os passageiros pagantes.

A prefeitura de Porto Velho deveria seguir o exemplo da Capital do Tocantins, Palmas, que em 2014 evitou um aumento de R$ 0,30 centavos na tarifa através de desonerações de impostos e subsídios de R$ 1,2 milhões. Confira no link: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2014/07/preco-da-tarifa-de-onibus-e-mantido-com-isencao-de-imposto-e-subsidio.html - uma boa bandeira para os nossos vereadores.

Por outro lado, o governo de Rondônia precisa dar sua contribuição, pois a grande maioria dos estudantes são do ensino médio, um público atendido principalmente pelo Estado. Esse fato justifica uma política de isenções/desonerações, como no Diesel que representa de 20% a 25% do custo do sistema, a exemplo do Amazonas que há muitos anos concede em Manaus, confira no link a seguir: http://www.d24am.com/noticias/amazonas/transporte-coletivo-tem-isencao-de-r-55-milhes/1549 - uma boa bandeira para os nossos deputados estaduais.

Quanto à qualidade do transportes coletivo é praticamente impossível conseguir isso sem instalar um sistema de monitoramento em tempo real de toda frota através de GPS, com Central de Controle Operacional (CCO) na SEMTRAN. Com ele se faz uma fiscalização efetiva de quantos ônibus estão rodando, onde estão trafegando, se estão no horário ou não, velocidade, se desviaram a rota, se furaram o balão (retornar no meio do caminho se estiver vazio), entre outros.

Sem GPS, falar em qualidade é apenas enganação. Os ônibus da cidade de Diadema-SP tem GPS desde 2012:  https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2012/06/29/diadema-inaugura-cco-para-monitorar-onibus/

Conclui-se que é possível reduzir o valor da tarifa, garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema e melhorar muito a qualidade.

* Itamar Ferreira é bancário, sindicalista, presidente da CUT-RO, formado em administração de empresas e pós-graduado em metodologia do ensino pela UNIR, acadêmico de direito na FARO.


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