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Rondônia, domingo, 05 de dezembro de 2021.



G1

‘Retrato de um ano trágico’: mortes de Ari Uru-Eu-Wau-Wau e Rieli Franciscato são lembradas em relatório do Cimi


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Relatório também aponta que 182 indígenas foram assassinados no país em 2020, número 61% maior do que o registrado em 2019. O relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), publicado na quinta-feira (28), aponta que as mortes do indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau e do coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai), Rieli Franciscato, aconteceram possivelmente por consequência das constantes invasões de terras em Rondônia, ações de grileiros e da omissão do Estado em proteger os territórios indígenas.
O documento sobre violência contra os povos indígenas no Brasil é publicado anualmente. Ele é resultado de apurações feitas com entidades, associações e órgãos oficiais. Esta edição, segundo o Cimi, é o retrato de um ano trágico para os povos originários no país. (veja número de assassinatos de indígenas ao final da reportagem).
Outdoors foram espalhados em Rondônia com a pergunta: “Quem matou Ari Uru-Eu-Wau-Wau?”
Kanindé/Reprodução/Redes Sociais
Ari Uru-Eu-Wau-Wau, de 34 anos, foi encontrado morto na Linha 625 de Tarilândia, distrito de Jaru (RO), na manhã de 18 de abril de 2020. O corpo estava de um lado da via enquanto sua moto preta e sem placa estava do outro lado.
Ele trabalhava registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro da aldeia, pois fazia parte do grupo de vigilância do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Ele foi morto durante a noite de 17 de abril e o corpo encontrado na manhã seguinte, com sinais de lesão contundente na região do pescoço, que ocasionou uma hemorragia aguda.
Ari Uru-eu-wau-wau foi encontrado morto em RO
Reprodução/Kanindé
1 ano depois: polícia não achou quem matou e nem o mandante do crime
Segundo o relatório do Cimi, em Rondônia, há anos a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau sofre com invasões, desmatamento, grilagem e queimadas. As ameaças também são constantes, deixando lideranças indígenas e o povo sem liberdade e segurança mesmo no seu próprio território.
“Em decorrência da omissão do Estado em proteger os territórios indígenas, fazendo recair o peso da defesa da terra sobre os próprios povos, a liderança foi cruelmente assassinada. O jovem professor e agente ambiental, Ari foi encontrado morto com sinais de espancamento”, consta no relatório.
Já Rieli Franciscato morreu no dia 9 de setembro de 2020, após ser atingido no tórax por uma flecha disparada por indígenas isolados em Rondônia. Ele tinha 56 anos e dedicou 30 anos ao cuidado e proteção dos povos isolados.
Rieli Franciscato foi morto por uma flechada em 9 de setembro
Funai
O grupo que disparou a flecha contra Rieli é formado por cinco indígenas, segundo testemunhas. Eles são identificados como Isolados do Cautário (nome de um rio da região). O trabalho de Rieli era justamente tentar conscientizar a população sobre a importância da preservação da reserva para que os povos continuassem no interior da mata.
SAIBA MAIS: quem são os indígenas isolados
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PERFIL: quem era Rieli Franciscato
‘A flecha acertou justo o coração que era dos indígenas’
Sobre esse caso, o Cimi aponta que em Rondônia as invasões constantes, as presenças de garimpeiros e grileiros têm provocado a mudança de comportamento dos grupos de indígenas isolados da região do Rio Cautário, assustados com a presença cada vez mais próxima de criminosos.
“Foi neste contexto de pânico dos indígenas isolados e negligência na fiscalização das invasões ao território demarcado que o servidor da Funai e coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau, Rieli Franciscato, acabou atingido por uma flecha e, infelizmente, não resistiu aos ferimentos”.
Flecha que atingiu Rieli Franciscato
Reprodução/TV Globo
O relatório indica que a flecha lançada poderia ser uma reação às violências praticadas contra esse povo por invasores que exploram ilegalmente madeira e caça na terra indígena.
“Essa hipótese é reforçada porque, poucos dias antes do ocorrido, três garimpeiros foram vistos saindo da mata no mesmo local. Na TI Uru-Eu-Wau-Wau há forte aumento do desmatamento, de queimadas e das invasões de madeireiros, garimpeiros, grileiros e caçadores, motivando o deslocamento constante dos indígenas isolados em busca de recursos naturais, cada vez mais escassos, para a sua sobrevivência”, aponta.
Imagens inéditas mostram trabalho de indigenista morto por flechada
Número de assassinatos
O levantamento publicado pelo conselho na quinta-feira (28) também denuncia o aumento de assassinatos dos povos originários. O estudo faz referência a dados de 2020.
De acordo com os dados oficiais obtidos junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e secretarias estaduais de Saúde, aconteceram 182 assassinatos de indígenas em 2020. Isso representa um aumento de 61,06% em relação a 2019, quando foram contabilizados 113 homicídios. O maior número de mortes ocorreu entre homens, com 127 casos, os outros 55 eram mulheres.
As principais causas dos óbitos são agressão por meio de disparo de arma de fogo, agressão por meio de objeto cortante ou penetrante e agressão por meio de objeto contundente.
Veja na tabela abaixo o número de mortes por estados.
Número de assassinatos de indígenas
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Fonte: G1 Rondônia

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