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Rondônia, terça, 26 de outubro de 2021.



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Ultrapar: Marcos Lutz, novo CEO, compra ações e vira sócio dos donos


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Depois de surpreender o mercado ao anunciar Marcos Lutz para a presidência executiva do conglomerado na semana passada, a Ultrapar, cuja receita deve ficar em torno de R$ 60 bilhões neste ano, trouxe mais novidades. Acaba de divulgar que Lutz terá uma participação na holding Ultra S.A., onde ficam as participações acionárias dos familiares, como o EXAME IN antecipou ainda em 2020.

No total, sua participação será equivalente a aproximadamente 1% da Ultrapar que é listada na B3 (ou 2,4% da holding). Foram diversas transações que levaram o executivo à fatia total que, aos preços atuais de bolsa de hoje, equivale a R$ 160 milhões. Investimento esse que no “all time high” da companhia, em 2018, valeria perto de R$ 450 milhões. Matemática simples: a companhia que há três anos valia R$ 45 bilhões, hoje está em torno de R$ 16 bilhões na bolsa.


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Lutz assumir a posição de CEO do grupo surpreendeu muito o mercado. E para o bem — a ação subiu quase 10% no dia. O combinado anterior era que sucedesse a Pedro Wongtschowski, atual chairman (presidente do conselho de administração), com mandato até abril de 2023. O próprio Lutz, quando começaram as discussões para sua ida ao grupo, não desejava a posição executiva.

Mas quem está próximo da companhia hoje entende que Lutz está satisfeito com o desenho final que crava sua chegada ao comando dos negócios. A passagem pela presidência executiva não é apenas um recado de que a companhia viu o incêndio, os problemas na gestão de Ipiranga, como também de que decidiu – finalmente – atuar de forma incisiva. Além disso, dará muito mais legitimidade e força a sua posição quando migrar para o conselho, com o término do mandato de Wongtschowski dentro de aproximadamente 18 meses.

O recado do investimento de Lutz é claro: posição para vida toda. Para quem pegou o cometa pelo rabo: Lutz deixou o grupo Cosan, de Rubens Ometto, onde esteve na liderança dos negócios durante mais de uma década, para assumir a Ultrapar, conglomerado dono da Ultragaz, Ultracargo e Ipiranga – e que acaba de vender Extrafarma e Oxiteno. Os grupos guardam grande semelhança de portfólio, a começar pelas rivais Ipiranga e Shell (bandeira operada pela Raízen).

Mas essa chegada é, na verdade, um regresso. A carreira de Lutz começou no grupo Ultra, em 1994, onde permaneceu até 2003, após ter alcançado a presidência da Ultracargo. Além de ter sido o início de sua vida executiva, os laços de confiança e afinidade são fortes dentro da empresa, pois é muito próximo de Fabio Igel – aliás, conhece a família desde sua adolescência.

O contexto torna tudo de compreensão mais fácil. Empresa conhecida, com sócios-controladores conhecidos, num ramo que entende, cheia de desafios e potenciais. Para coroar, terá sua posição, ainda que minoritária, ao lado dos “donos”. Desde que aderiu ao Novo Mercado, a empresa não possui mais um bloco de controle majoritário, mas a Ultra S.A. congrega mais de 25% do capital social da Ultrapar e seus acionistas somam um poder de voto superior a 34% (pois detêm ações não vinculadas ao acordo de acionistas).

A relevância de Lutz para a Ultrapar hoje, conforme investidores ouvidos pelo mercado, é muito superior da que teria agora em Cosan. Motivo? Número um: necessidade. Número dois: carência de dono estratégico, entendedor do negócio de verdade. De forma simples, porém verdadeira, o grupo Ultra ainda peleja a falta de Paulo Cunha, enquanto a Cosan já tem uma cultura sólida construída.

Estopim

O balanço do grupo do segundo trimestre foi o estopim de tudo. Ali, ficou evidente que não daria para o conglomerado seguir com o discurso de respeito aos ritos de governança e prazos. A companhia perdeu mais de R$ 2 bilhões em valor de mercado num único pregão.

Não por acaso, junto com a chegada de Lutz foi anunciada também a troca no comando da Ipiranga, onde mora a urgência. Saiu Marcelo Araújo, ex-CEO da Marisa, e entrou em cena Leonardo Linden, diretor de operações recém-chegado e elogiado internamente (já corria nos corredores que ele seria ‘o cara’).

Apesar de no segundo trimestre a Ipiranga ter registrado crescimento de 20% sobre a receita líquida do primeiro trimestre, para R$ 23,8 bilhões, o Ebitda caiu 25% nessa mesma comparação, para R$ 422 milhões. Ou seja, a margem despencou de 2,8% para 1,7%. O setor gosta de olhar a margem Ebitda por metro cúbico de combustível. No caso da Ipiranga, ficou em R$ 52, comparado a R$ 98 da BR Distribuidora.

Para completar, essa “gestão” da sucessão ainda permite uma transição mais suave no conselho. Já que o desempenho do primeiro semestre fez os níveis de pressão por mudança tornar vocais até os investidores mais tradicionais e pacientes. Não sobraram críticas a ninguém. Elas começavam em Araújo, passavam por Curado e, sim, chegavam até Wongtschowski.

O que esperar?

Lutz ainda nem sentou na cadeira. Mas já chegou com parte do serviço garantido com a mudança na Ipiranga, ainda que isso seja só a largada. Em Cosan, construiu uma história de uma companhia formadora de grandes talentos e lideranças, algo totalmente reconhecido pelo mercado. Ipiranga é onde mora a urgência. De acordo com alguns analistas. Se somente fossem corrigidos os problemas da distribuidora, o valor da empresa teria de ser, no mínimo, 60% maior que o atual.

Mas, não se deve esquecer que, quando toda a crise começou na Ultrapar em 2018 e a empresa perdeu “seu toque de midas”, a grande queixa do mercado era a gestão do portfólio de investidas. Queriam crescimento e mudanças. Levou um tempo, mas o primeiro passo já foi dado. Oxiteno e Extrafarma vendidas, mais de R$ 5 bilhões no bolso. Agora é agora de pensar no futuro?

O que querem o investidores e sobre o que falam: que está na hora de o grupo largar mão da versão oldfashion de conglomerado para se tornar efetivamente uma “gestora de portfólio”, modelo adotado da Península, de Abílio Diniz, à Cosan, de Ometto. Que portfólio? Daí, até uma decisão final, há uma eleição derradeira no meio, em 2022, é bom que se lembre.

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Fonte: Revista Exame

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