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Fim do auxílio emergencial ameaça ações de varejistas na bolsa


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A distribuição histórica de renda promovida pelo auxílio emergencial ajudou a manter o nível de consumo no Brasil em 2020. Foram mais de 280 bilhões de reais pagos a cerca de 68 milhões de brasileiros ao longo do ano. A última parcela do benefício deverá ser creditada no final de janeiro, o que deixará milhões de pessoas sem uma fonte definida de renda já no mês que vem.

O quadro é dramático para o país e para as empresas que dependem do consumo das famílias para crescer. No ano passado, a distribuição do auxílio emergencial impediu a queda no comércio. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo registrou avanço de 1,3% entre janeiro e novembro de 2020.


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Agora, sem o auxílio emergencial e com uma nova onda de casos de covid-19 atingindo as principais cidades, os lojistas devem começar a sentir os mais duros efeitos da crise.

A perspectiva de curto prazo não é boa para as empresas de varejo listadas na bolsa de valores. Papéis como os do Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e B2W (BTOW3) estão amargando quedas de quase 40% nos últimos meses. No começo do segundo semestre do ano passado, essas empresas foram líderes de crescimento na bolsa, em razão do avanço das vendas digitais durante o período de isolamento social. Mas os tempos áureos parecem ter ficado para trás.


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No dia 18 de janeiro, o CIO da EXAME Research, Renato Mimica, e o analista Luiz Guanais, do BTG Pactual, irão tirar todas suas dúvidas sobre as grandes empresas do varejo em live exclusiva e gratuita. Inscreva-se aqui.

“Os números de operadoras de vendas, como a Cielo, fazem uma leitura à frente dos dados oficiais. Por essa métrica já dá para ver um enfraquecimento do varejo. O mercado não está sendo pego de surpresa, porque de certa forma esse cenário já foi calculado nos últimos meses e está refletido no valuation das empresas, principalmente nas que dependem mais das vendas físicas”, diz Bruno Lima, analista de ações da EXAME Research.

Desde o início de 2021, as ações do Magazine Luiza caíram 4,4%. A Via Varejo amargou uma queda ainda maior, de quase 10%. A única que cresceu nessa primeira quinzena do ano foi a B2W, com alta de 8,1%. Apesar de ter ganhado mais que as outras, as ações da dona das Americanas e Submarino continuam 35% abaixo do pico de 2020.

O fim do auxílio afeta outro fator muito importante para o consumo: o desemprego. Com o fim da ajuda do governo, muitos brasileiros voltarão a buscar um trabalho, o que deve multiplicar os dados de desocupação já nos próximos meses. A queda de renda somada aos efeitos da segunda onda da pandemia do coronavírus devem deprimir ainda mais o consumo no primeiro semestre de 2021.

“São complicações de curto prazo para o desempenho das varejistas, mas ainda acho que transformação que vimos durante a pandemia é forte. O consumo digital cresceu e as grandes empresas ganharam mercado, em razão do fechamento de concorrentes menores”, observa Henrique Esteter, analista de ações da corretora Guide Investimentos.

Ele lembra que a bolsa está vendo uma migração de recursos entre setores. O varejo, antes grande beneficiado pela crise, está sendo trocado por empresas de commodities, que devem surfar a recuperação econômica global. Conforme o risco doméstico diminui, é possível que o horizonte para o consumo fique mais favorável — mas só no médio prazo.

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Essa também é a visão do banco Goldman Sachs. Em relatório distribuído na semana passada, analistas do banco apontaram para uma queda nas vendas do varejo no primeiro semestre, acentuada pelo crescimento de casos de covid-19 antes da ampla distribuição da vacina.

“Conforme as campanhas de vacinação alcancem uma proporção maior da população, a confiança e o mercado de trabalho vão se recuperar”, prevê a equipe do Goldman. Embora vejam um segundo semestre mais produtivo, os analistas pontuam, no entanto, que levará tempo até que o comércio como um todo se recupere.

Os setores de alimentação e de comércio digital devem sair à frente na retomada. O banco espera, por exemplo, uma valorização de até 33% nas ações do Carrefour (CRFB3) no final do ano. Já os papéis da B2W (BTOW3), cujas operações são concentradas no online, podem subir 29%.

Por outro lado, empresas de bens não-essenciais, como vestuário e calçados, devem perder valor até o final do ano. A projeção do Goldman é de um downside de 11% nas ações da Arezzo (ARZZ3) e de 12% nos papéis da Cia Hering (HGTX3).

Nó fiscal

Um novo programa de distribuição de renda não está totalmente descartado, principalmente se as autoridades precisarem recorrer a novas medidas de fechamento do comércio. Não há, no entanto, nenhuma programação do governo para que isso aconteça, e a situação do orçamento federal não parece favorável a uma nova rodada bilionária de distribuição de renda.

“O governo vai começar a discutir a agenda fiscal e de reformas depois da eleição da Câmara, marcada para meados de fevereiro”, lembra Lima, da EXAME Research. Até lá, o grau de incerteza continuará alto, o que tende a penalizar os ativos da bolsa de valores.

Na visão de Lima, se o governo conseguir emplacar a liderança da Câmara e encaminhar uma agenda de contenção dos gastos federais, é possível que a gestão atual ganhe um voto de confiança do mercado financeiro, mesmo com todos os efeitos negativos da pandemia no curto prazo. A capacidade de montar uma boa estratégia de vacinação também estará à prova, como observam os analistas do Goldman.

De qualquer forma, é possível que as ações das varejistas, assim como o próprio Ibovespa, passem por mais um período de montanha russa antes de definir um rumo pós-pandêmico.

Fonte: Revista Exame

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