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Com queda na demanda, Gol reduz voos domésticos e mantem só capitais


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Após cancelar os voos internacionais, a companhia aérea brasileira Gol anunciou que vai reduzir também o número de voos domésticos. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 24.

A empresa disse que está fazendo uma “readequação” da malha doméstica a começar pelo próximo sábado, 28. As mudanças duram até 3 de maio.


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Neste período, somente as operações em capitais serão mantidas. A malha nos próximos meses terá 50 voos diários, conectando todos os estados brasileiros ao aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). O limite de conexões também vai aumentar para não prejudicar a ligação entre as cidades.

A Gol informa que, com as mudanças, terá reduzido sua oferta de voos domésticos em 92%. Os voos internacionais já haviam sido cancelados totalmente em 17 de março.


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Para os clientes que tinham voos marcados para depois de sábado, a Gol sugere que “antecipem suas viagens para esta semana, em qualquer dia e horário” e “evitando-se assim possíveis restrições de itinerários na nova fase que se inicia no próximo sábado”, segundo informou a empresa, em nota.

A Gol afirma que não cobrará taxa de alteração nas passagens, tanto para quem adiantar o voo para este semana quanto para quem remarcar o embarque para depois de 3 de maio. A empresa recomenda que as dúvidas e procedimentos sobre as passagens sejam tiradas no site (neste link) e em outros canais digitais, para evitar aglomerações em espaços físicos.

No mercado doméstico, a Gol é líder com 37,7% de participação de mercado. Em seguida estão Latam, com 34,7%, e Azul, com 23,6%, segundo dados do acumulado de 2019 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). 

Aéreas em crise

A decisão de cancelar boa parte dos voos dentro do Brasil surge em meio “à nova demanda por transporte aéreo em tempos de isolamento domiciliar e distanciamento social”, diz a Gol em nota.

Embora o avanço dos casos de coronavírus impactou pouco a empresa em fevereiro, data dos últimos números de oferta e demanda divulgados. Contudo, em nota posterior aos acionistas em 16 de março, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, escreveu que “nsses últimos dias, houve um declínio mais significativo na demanda em todo o mercado de viagens aéreas no Brasil.”

No Brasil, há pelo menos 1.891 casos e 34 mortes pela Covid-19, segundo o último boletim do Ministério da Saúde, na noite de segunda-feira, 22. Até agora, o governo brasileiro não emitiu nenhuma restrição de deslocamento de pessoas dentro do país. Contudo, alguns estados vem paralisando operações comerciais e mantendo abertos somente estabelecimentos essenciais, o que diminui a necessidade de deslocamento pelo país.

A queda na procura por voos domésticos em março apontada pela Gol vem sobretudo de uma tendência de menor atividade de viagens corporativas, como mostrou reportagem anterior da EXAME. As viagens corporativas representam boa parte do faturamento recorrente das companhias aéreas. Com muitas empresas em trabalho remoto e cancelando viagens de executivos diante da pandemia, a demanda sofreu, mesmo nos mercados domésticos. Eventos corporativos como feiras também foram todos cancelados.

A redução de viagens corporativas pode, inclusive, continuar acontecendo mesmo após o fim do pico do coronavírus, com empresas tentando enxugar custos em meio às perspectivas de recessão global.

No começo da crise do coronavírus, em fevereiro e começo de março, a empresa havia dito que estaria mais protegida em relação aos impactos porque sua operação estava majoritariamente no mercado doméstico. Na prática, a conta chegou para todos. 

As ações das aéreas vêm sendo especialmente penalizadas. Os papéis da Gol caíram 77,8% no último mês, entre 26 de fevereiro e o pregão de segunda-feira. A ação foi de 30,90 no fim de fevereiro a 6,86 reais no fechamento do último pregão, com valor de mercado de 2,44 bilhões de reais. O anúncio sobre a redução dos voos nacionais foi feito antes da abertura do mercado nesta terça-feira.

As concorrentes brasileiras Azul e Latam também viram queda no valor de seus papéis. A ação da Azul caiu 73% desde 26 de fevereiro e a Latam, que tem capital aberto no Chile, teve queda de 70%.

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