O número de nascimentos no Brasil voltou a cair em 2024 e alcançou o menor patamar desde 2004, segundo dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
É o sexto ano consecutivo de redução no total de nascidos vivos no país.
De acordo com o instituto, foram registrados quase 2,4 milhões de nascimentos em 2024, uma queda de 5,8% em relação a 2023, quando o país havia contabilizado cerca de 2,5 milhões. Trata-se da maior redução percentual anual da série histórica recente.
Queda se intensifica desde antes da pandemia
Na comparação entre 2023 e 2024, o Brasil teve 146,4 mil nascimentos a menos. A sequência de quedas teve início em 2019, ainda no período pré-pandemia, e se manteve ao longo dos últimos anos.
Embora as Estatísticas do Registro Civil existam desde 1974, o IBGE destaca que a análise detalhada começa em 2004, após uma mudança metodológica que passou a considerar os nascimentos ocorridos em um ano e registrados até o primeiro trimestre do ano seguinte.
O instituto também ressalta que, no passado, as mulheres tinham mais filhos, mas havia subnotificação, já que o registro em cartório era menos acessível.
Tendência já apontada pelo Censo Demográfico
Segundo Klívia Brayner, gerente da pesquisa do IBGE, os dados confirmam tendências já observadas no Censo Demográfico, como a redução no número médio de filhos por mulher e o aumento de pessoas que optam por não ter filhos.
“Realmente, estão nascendo cada vez menos crianças”, afirmou a pesquisadora.
Em junho, o IBGE informou que a taxa de fecundidade no Brasil atingiu, em 2022, o menor nível da história: 1,55 filho por mulher. Em 1960, esse indicador era de 6,28.
Redução ocorre em todos os estados
A queda no número de nascimentos foi registrada em todas as unidades da federação entre 2023 e 2024.
Em 15 estados, a redução foi mais intensa que a média nacional (-5,8%), incluindo São Paulo, que apresentou queda de 6,5%.
Os maiores recuos proporcionais ocorreram no Acre (-8,7%) e em Rondônia (-8,6%). Já as menores quedas foram observadas na Paraíba (-1,9%) e em Alagoas (-2,4%).
Mulheres têm filhos cada vez mais tarde
Os dados do IBGE também mostram que as mulheres estão adiando a maternidade.
Em 2004, apenas 24,3% dos nascimentos eram de mães com 30 anos ou mais. Em 2024, esse percentual subiu para 39,5%, o equivalente a quatro em cada dez registros.
No sentido oposto, a participação de mães com até 24 anos caiu de 51,7% para 34,6% no mesmo período.
Cresce número de mães acima de 40 anos e cai gravidez na adolescência
Entre 2004 e 2024, o número de nascimentos de mães com 40 anos ou mais aumentou 71,8%, passando de 59,9 mil para 102,8 mil.
Já os registros envolvendo mães com até 19 anos caíram 53,9%, recuando de 580,3 mil para 267,4 mil em duas décadas.
Desse total, cerca de 11,5 mil nascimentos envolveram mães com menos de 15 anos em 2024 — uma redução de 11,6% em relação a 2023.
Meninos são maioria entre os nascidos vivos
Em 2024, os meninos representaram 51,1% dos nascidos vivos, enquanto as meninas corresponderam a 48,8%.
Um terço dos partos ocorre fora do município de residência
O IBGE também apontou que 34,3% dos nascimentos registrados em 2024 ocorreram em municípios diferentes do local de residência das mães.
O percentual variou de 1,3% no Distrito Federal a 60,3% em Sergipe. Em São Paulo, a proporção ficou em 26,9%, abaixo da média nacional.
Entre os municípios com mais de 500 mil habitantes, Belford Roxo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, teve o maior índice: 79,4% dos nascimentos de mães da cidade ocorreram fora do município.




