Uma audiência pública para discutir a Lei de Organização Básica e a Lei de Promoção da Polícia Militar, cujas minutas ainda não foram encaminhadas à Assembleia Legislativa, terminou em clima de tensão e troca de acusações entre representantes de entidades de classe e parlamentares.
O encontro foi conduzido pelo deputado estadual Eyder Brasil, que ao final cobrou o acionamento da Comissão de Segurança, da qual é presidente, diante da falta de quórum para reuniões.
Durante a audiência, o deputado Rodrigo Camargo criticou o governador Marcos Rocha e o comandante-geral da PM, Régis Braguin, acusando-os de desconhecer os projetos. Braguin rebateu, afirmando que conhece as propostas e que elas fazem parte de um conjunto de ações do governo para melhorar as condições da tropa, posição contestada por lideranças das associações de policiais militares.
Embate
Um dos momentos mais tensos ocorreu no embate entre Camargo e o ex-deputado Jesuíno Boabaid, presidente da Assfapom. Jesuíno negou ter conhecimento de uma tabela de reajuste salarial para os praças, mas foi contraditado por Camargo, que lembrou o apoio do ex-parlamentar ao aumento do ICMS. Jesuíno afirmou que esperava que a arrecadação fosse usada para recompor salários, mas disse ter se sentido traído pelo governo.
Representantes das associações também denunciaram perseguição a praças por meio de Inquéritos Policiais Militares (IPMs). Valdecir Teixeira afirmou ter sido alvo de um IPM ao acompanhar um filiado. O vereador Fernando Silva acusou a atual gestão da PM de perseguição política, teve sua fala interrompida após declarações mais duras e acabou sendo alvo de reação do comandante-geral, que anunciou medidas judiciais.
Ao final, a audiência foi marcada por acusações e pouco avanço prático, enquanto os projetos seguem sem encaminhamento à Assembleia Legislativa.




