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Brasileiros ainda deixam dinheiro na poupança, aponta B3; veja opções mais rentáveis


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Investimentos geralmente não são temas de uma conversa de bar no Brasil. Pelo menos, não ainda. Mas esse cenário está mudando. De acordo com a pesquisa A descoberta da bolsa pelo investidor brasileiro, da B3, de maio de 2019 a novembro de 2020, o número de investidores na bolsa de valores saltou de 1 milhão para quase 3,2 milhões. Com a taxa Selic no seu menor valor histórico (2% ao ano), os brasileiros têm deixado o conservadorismo de lado e migrado para a renda variável.

A quantidade de investidores em renda variável cresceu seis vezes no país na última década, passando de 583.000, em 2011, para mais de 3 milhões em 2020. Mas a mudança não acontece de uma vez. Apesar dos altos números de novos investidores na bolsa de valores, boa parcela deles ainda deixa parte dos recursos no mais tradicional e conhecido dos investimentos. Quase 40% das 1.300 pessoas entrevistadas no levantamento, ainda mantêm parte de seu patrimônio investida na poupança. Além disso, 22% dos participantes informaram que ainda pretendem aplicar dinheiro na poupança futuramente.


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Os motivos para essa decisão podem ser vários, e entre eles está a facilidade. A poupança é simples de entender e de fácil acesso para qualquer pessoa, até mesmo crianças podem ter uma conta, desde que com o aval dos responsáveis. Além disso, há o fator liquidez. É possível retirar o dinheiro sem perdas, no momento em que for preciso. Outro motivo, e talvez o mais definitivo, é a falta de informação. As pessoas investem na poupança porque não conhecem as demais ofertas de investimentos, que podem ser tão acessíveis e simples quanto a tradicional caderneta.

Para a especialista em fundos de investimento da EXAME Research, Juliana Machado, a falta de conhecimento aliada ao medo de perder dinheiro são os dois principais fatores que levam as pessoas a manter recursos na poupança. “Quando quem não conhece escuta sobre o mercado financeiro nas redes sociais, nos jornais ou ouve algum amigo falando a respeito, associa isso a um nível de sofisticação que não se acha capaz de alcançar. Mas, na verdade, é uma falta de conhecimento das várias maneiras de investir. Além disso, também há o medo natural que todos têm de perder o dinheiro. Embora investir seja admitir algum tipo de risco, as pessoas desconhecem que há uma escala de risco de acordo com os tipos de investimentos”, explica a especialista.


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Se a poupança não é a melhor opção, o que fazer?

A poupança funciona com base na data de “aniversário”, que é o dia do mês em que o depósito foi feito. Ao colocar 100 reais na poupança no dia 14 de junho, o rendimento só vai ser acrescentado ao valor no dia 14 de julho. Caso o investidor decida tirar o dinheiro no dia 13 de junho, não terá nenhum rendimento.

O investimento é garantido pelo FGC, o Fundo Garantidor de Crédito. Isso significa que, caso o banco quebre, a pessoa receberá de volta a quantia de até 250.000 reais.

Criada em 1861 por Dom Pedro II, a poupança manteve a mesma regra de rendimento até 2012, que era de 0,5% mais o valor da Taxa Referencial (TR). Mas essa conta mudou há oito anos, quando ficou decidido que o rendimento da poupança seria baseado no valor da taxa Selic. Quando a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% mais a TR; mas quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento é de apenas 70% da taxa mais a TR. Para complicar, em um acordo entre instituições financeiras, a Taxa Referencial foi reduzida a zero no Brasil. Ou seja, ao deixar o dinheiro na caderneta, o investidor perde, em média, 30% em poder de compra.

Examinando: entenda o que é e como funciona a taxa Selic

Machado explica que existem diversos investimentos de renda fixa que podem ser usados como alternativa à poupança. “Os Fundos de Taxa Zero não têm taxa de administração nem de performance. O objetivo deste tipo de investimento não é deixar a pessoa rica, mas oferecer um pouco mais de rentabilidade quando comparado à poupança. Se a pessoa já sai deixando na mesa 30% de seu dinheiro, não tem justificativa para ficar na poupança tendo como opção um produto que é acessível, não tem cobrança de taxa, é simples de investir e gera o menor risco possível ao investidor”, afirma.

Mesmo que a poupança não seja indicada como o melhor investimento, é importante que a renda fixa esteja no portfólio de todo investidor como uma forma de diversificar a carteira e equilibrar a exposição ao risco. Além disso, a renda fixa também é o tipo de investimento indicado para deixar a imprescindível reserva de emergência. “É importante ter uma parte da carteira em produtos atrelados à inflação, ao CDI e aos juros. Dessa forma, o investidor vai ser remunerado de maneira a dosar a exposição ao risco ao receber retorno de fontes não relacionadas com a bolsa, ou com o dólar. Esse é o mais adequado para ter um portfólio capaz de aguentar choques e crises. O objetivo é nunca deixar todo o seu dinheiro na mesa”, conclui Machado.

Fonte: Revista Exame

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