A Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (DEDT) vai instaurar um inquérito para apurar o acidente que causou a morte da pequena Ana M.S.R.P., de 4 anos, ocorrido na noite do dia 13 de maio deste ano, no Condomínio Lírio, no Bairro Novo, em Porto Velho. A morte cerebral da criança foi confirmada no início da noite da última quarta-feira (22). O veículo que atropelou a menina era dirigido por uma mulher de 24 anos, que alegou não ter visto a criança. 

De acordo com o delegado, Cristiano Lopes Ferreira, com o laudo da morte da criança agora será instaurado o inquérito policial. “Se fosse somente uma lesão corporal de natureza leve, nós iriamos instaurar um termo circunstanciado, mas como a criança morreu, queremos identificar se a condutora agiu com imprudência. Se não for comprovado imprudência por parte da motorista, nós vamos solicitar o arquivamento do inquérito porque não houve crime. Agora, se for comprovado que ela deu causa pro acidente, a condutora será indiciada por crime de homicídio culposo”, esclareceu o delegado.

Durante o depoimento, a motorista contou para o delegado que estava passando na rua e, repentinamente, a criança cruzou na frente do carro e ela não conseguiu frear. A jovem negou ter atropelado a criança como foi narrado na ocorrência policial, e disse que o rosto da menina teria batido no retrovisor do carro e ela teria caído próximo ao meio-fio. A motorista ainda disse que viu sair sangue do nariz da criança e garantiu que estava devagar.

O delegado explica que no dia seguinte do acidente, ele ouviu uma testemunha que contou mais ou menos como foi o acidente, e no dia 16 o delegado encaminhou um ofício para o condomínio solicitando as imagens e foi atendido. “A filmagem mostra o carro seguindo, passa pelo quebra-molas e para em seguida. Nós conseguimos visualizar apenas isso porque na hora estava escuro”, explicou Cristiano Lopes.

As imagens foram encaminhadas para a perícia para serem analisadas pelo perito. “Ele vai tentar visualizar como foi à dinâmica do acidente para que a gente consiga fazer um laudo do local do acidente de forma indireta, já que não teve perícia no momento que vítima e veículo estavam no local. Com o resultado, nós vamos esclarecer alguns fatos”, esclareceu o delegado.
Outra testemunha contou para o delegado que o carro teria passado por cima da criança, mas a motorista negou. “Nós só vamos saber com mais detalhes, se houve ou não o atropelamento, quando o laudo de lesão corporal que foi solicitado chegar. A velocidade que o veículo estava no momento do acidente também será esclarecida pela perícia”, explicou.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência também serão chamados para prestar depoimento. Outras testemunhas também prestarão depoimento na próxima semana.

Questionado se a Polícia Militar agiu de forma correta ao liberar a motorista, o delegado respondeu que sim, já que no primeiro momento estavam diante de um crime de possível lesão corporal. “Se a pessoa falecer também não significa que o condutor do veículo esteja errado, então tudo tem que ser apurado porque às vezes o motorista não tem culpa daquele acidente”, finalizou Cristiano Lopes Ferreira.