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Como as stablecoins ajudam a reduzir atritos em operações internacionais?

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Ativos podem facilitar transferências entre países ao combinar liquidação em redes blockchain com menor exposição à oscilação típica de outras criptomoedas

As operações internacionais envolvem diferentes moedas, sistemas bancários, horários de funcionamento e procedimentos de liquidação. Nesse contexto, as stablecoins ocupam uma função específica no universo dos ativos digitais: representam unidades de valor projetadas para acompanhar um ativo de referência, geralmente uma moeda fiduciária, como o dólar – com o ativo sendo conhecido como dólar digital

A combinação entre essa estabilidade relativa e a infraestrutura blockchain permite realizar determinadas transferências sem depender integralmente dos mecanismos tradicionais de movimentação internacional de recursos.

O funcionamento, porém, depende do modelo adotado pela stablecoin, das regras aplicáveis à operação e das condições da rede utilizada. Por isso, compreender onde esses ativos podem ser empregados ajuda a dimensionar seu papel em pagamentos e transferências internacionais.

Transferências com liquidação em blockchain

Uma das características das stablecoins está na possibilidade de transferência diretamente entre carteiras digitais compatíveis. Em uma operação internacional, isso pode reduzir etapas relacionadas à movimentação convencional entre instituições financeiras, especialmente quando remetente e destinatário já possuem acesso à infraestrutura necessária.

A transação é registrada na blockchain correspondente e pode ocorrer sem que os participantes precisem utilizar o mesmo sistema bancário. O tempo de confirmação depende da rede, enquanto eventuais custos estão relacionados às taxas cobradas para processar a operação.

Esse mecanismo pode ser utilizado, por exemplo, para enviar determinado valor em uma stablecoin atrelada ao dólar para uma contraparte localizada em outro país. O destinatário recebe o ativo digital e pode mantê-lo em carteira, utilizá-lo em outra transação ou convertê-lo para moeda fiduciária, conforme as possibilidades oferecidas pela plataforma utilizada e a legislação aplicável.

Menor exposição à oscilação de preço

A estabilidade pretendida pelas stablecoins é outro elemento relevante para operações internacionais. Bitcoin e outros criptoativos apresentam variações de preço que podem alterar significativamente o valor de uma transferência entre o momento do envio e o recebimento. Nas stablecoins, o objetivo é manter a cotação próxima do ativo de referência.

As características, entretanto, variam conforme a estrutura de cada projeto. Há stablecoins lastreadas em reservas de ativos, enquanto outros modelos utilizam mecanismos diferentes para buscar estabilidade. A existência de uma referência monetária não elimina riscos, e a conversão para moeda local também pode envolver variação cambial, tarifas e condições específicas da plataforma.

Para uma operação comercial, essa distinção interfere diretamente no planejamento financeiro. Uma empresa que recebe valores em uma stablecoin vinculada ao dólar consegue manter a exposição à moeda de referência até decidir pela conversão, desde que disponha de meios adequados para custódia e liquidação.

Pagamentos e programação de operações

A infraestrutura blockchain também permite integrar stablecoins a sistemas digitais. Em determinados modelos, contratos inteligentes podem executar regras previamente definidas, desde que as condições técnicas da operação sejam atendidas.

Essa possibilidade abre espaço para aplicações envolvendo pagamentos entre partes, liquidação de determinados serviços e movimentações vinculadas a plataformas digitais. O uso efetivo depende da estrutura tecnológica, dos participantes envolvidos e das exigências regulatórias de cada jurisdição.

Outro ponto é a disponibilidade. Redes blockchain funcionam de maneira diferente dos sistemas bancários convencionais, permitindo o processamento de transações fora dos horários tradicionais de atendimento. Isso pode ser relevante para operações que envolvem participantes em fusos horários distintos.

Limites e cuidados na utilização

A adoção de stablecoins em transações internacionais exige atenção à origem do ativo, à infraestrutura de custódia, às regras de prevenção à lavagem de dinheiro, às obrigações fiscais e às normas de cada país. Também é necessário verificar as condições de conversão para moeda fiduciária e a liquidez disponível.

Na prática, as stablecoins podem funcionar como uma camada adicional para movimentação de valor entre diferentes mercados, principalmente em operações que já contam com infraestrutura digital. Seu uso reduz determinadas etapas de transferência, mas não elimina procedimentos financeiros, cambiais ou regulatórios. A escolha do ativo, da rede e da forma de liquidação precisa considerar essas variáveis antes da execução da operação.

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Brasil Digital
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