Um vídeo publicado no Instagram do jornalista Rubens Coutinho repercutiu e surpreendeu parte da população de Rondônia. Nas imagens, o deputado Ribeiro do Sinpol aparece em uma conversa na qual faz declarações relacionadas à troca no comando da Polícia Civil de Rondônia e menciona adversários políticos.
Segundo a gravação, Ribeiro do Sinpol afirma que teria participado da retirada do então delegado-geral da Polícia Civil, Samir Fouad Abboid, e da nomeação de Jeremias Mendes de Souza para o cargo. Ainda conforme o conteúdo do vídeo, a mudança teria ocorrido sob a condição de que fossem adotadas medidas contra adversários políticos, entre eles Júnior Gonçalves, ex-chefe da Casa Civil; o vice-governador Sérgio Gonçalves; e o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Marcelo Cruz.
As declarações ganham relevância porque, em junho de 2025, Marcelo Cruz já havia levado ao Ministério Público de Rondônia uma denúncia na qual relatava supostas ameaças à sua integridade física, perseguição política e possível utilização da estrutura do Estado para fins políticos.
Denúncia apresentada ao Ministério Público

Em junho de 2025, o então presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Marcelo Cruz (PRTB), protocolou uma denúncia formal junto ao Ministério Público do Estado. No documento, encaminhado ao procurador-geral de Justiça, o parlamentar classificou os fatos relatados como “gravíssimos e alarmantes”.
A denúncia descreve uma sequência de episódios que, segundo Marcelo Cruz, poderiam indicar uma tentativa de intimidação e perseguição política.
Um dos episódios teria ocorrido em 10 de junho. De acordo com o documento, um delegado da Polícia Civil identificado como Marcos Correia, então lotado na Casa Civil do Governo de Rondônia, teria feito contato com uma assessora do gabinete do parlamentar por meio de uma mensagem programada para desaparecer após a leitura.
Ainda segundo a denúncia, depois que a assessora encaminhou o contato ao chefe de gabinete, o delegado teria respondido apenas: “já resolvido”.
No dia seguinte, conforme relatado por Marcelo Cruz ao Ministério Público, o chefe de gabinete recebeu uma ligação anônima com o seguinte aviso: “Avise ao deputado Marcelo Cruz para tomar cuidado no aeroporto”.
Para o parlamentar, a sequência dos acontecimentos poderia caracterizar uma ameaça e uma tentativa de intimidação.
Suposta operação contra Marcelo Cruz
A denúncia também relata que, dias antes, Marcelo Cruz teria sido procurado pelo deputado Ribeiro do Sinpol, policial civil de carreira.
Segundo o relato apresentado ao Ministério Público, Ribeiro teria informado sobre uma suposta operação judicial que estaria preparada para ser realizada contra Marcelo Cruz em 5 de junho, mas que teria sido suspensa por motivos que não foram esclarecidos.
O documento relaciona o episódio a supostas disputas internas envolvendo integrantes da Casa Civil e menciona acusações de “traição institucional”.
Diante dos fatos narrados, Marcelo Cruz levantou a possibilidade de ocorrência de crimes como violação de sigilo funcional, ameaça, coação e abuso de autoridade, além da possibilidade de atuação coordenada de agentes públicos com finalidade de perseguição política.
O parlamentar também manifestou preocupação com a possibilidade de utilização de operações policiais ou judiciais com finalidade política.
Troca no comando da Polícia Civil
Outro ponto destacado na denúncia foi a substituição do então delegado-geral da Polícia Civil, Samir Fouad Abboid, por Jeremias Mendes de Souza.
Marcelo Cruz apontou a mudança, ocorrida em 5 de junho, como um dos elementos que, na sua avaliação, contribuíam para o clima de tensão institucional.
Agora, as declarações atribuídas a Ribeiro do Sinpol no vídeo publicado por Rubens Coutinho voltam a colocar o episódio em evidência e levantam novos questionamentos sobre as circunstâncias da mudança no comando da Polícia Civil e sobre as acusações de perseguição política relatadas anteriormente por Marcelo Cruz.
Até o momento, as declarações apresentadas no vídeo e as acusações mencionadas na denúncia devem ser tratadas como alegações e relatos dos envolvidos, cabendo às autoridades competentes apurar os fatos e verificar sua veracidade.






