Entre superação, pertencimento e paixão pelo São João, integrantes encontram na quadrilha muito mais do que uma apresentação

Para Késsia Poliana, a resposta para a pergunta é simples: sem a quadrilha, sua vida não seria a mesma. A rainha da Nação Caipira carrega uma história marcada pela relação com a cultura popular. Desde o ano passado na agremiação, ela encontrou na dança muito mais do que uma atividade artística.
“A cultura me ajudou bastante. Ajuda muitas pessoas também. Ajuda a esquecer dos problemas, a sair da depressão, da ansiedade. Sou muito feliz por estar dançando. Voltei depois de tanto tempo e é uma alegria muito grande estar na quadrilha. A cultura é uma emoção muito grande na minha vida”.
Histórias como a de Késsia ajudam a explicar a importância do movimento junino para centenas de pessoas em Porto Velho. Mais do que apresentações e competições, as quadrilhas se tornam espaços de acolhimento, amizade e transformação.
É essa energia que move a Quadrilha Junina Nação Caipira, que marcou presença entre as 11 juninas que se apresentaram em 2025, e realiza seus ensaios no Campo do Abobrão, na Zona Sul da capital. Todos os dias, brincantes, personagens e equipe de apoio se reúnem para preparar o espetáculo que será apresentado ao público durante a temporada junina.

Neste ano, a quadrilha levará para a arena o tema “Optchá, o Povo Cigano Chegou”, uma homenagem à cultura cigana, suas tradições, costumes e modo de vida.
Quem conhece bem a força desse movimento é Abnner Assunção, juiz e coreógrafo da quadrilha. Há apenas um ano na Nação Caipira, ele acumula duas décadas de experiência dentro do universo junino. “Eu comecei ainda criança e hoje sou um homem formado, adulto, mas continuo apaixonado por esse movimento. Amo a cultura, amo o São João. Esse período é quando eu me realizo, quando me encontro e me identifico com os meus colegas e parceiros. Sem o mundo junino, parece que o ano fica sem graça”.
A preparação para o Arraiá do Bera vem acontecendo há meses. Entre ensaios, ajustes coreográficos e construção dos personagens, a quadrilha chega à reta final confiante no trabalho desenvolvido.
Além dos figurinos coloridos e das coreografias, a expectativa gira em torno da história que será contada na arena.
Para Késsia, o espetáculo promete emocionar. “A preparação para o Bera está muito boa e vamos chegar impactando. O nosso tema fala sobre o povo cigano, sobre a vida cigana. É uma história muito linda e tenho certeza que vai emocionar muitas pessoas”.

A proposta é apresentar ao público um mergulho na cultura cigana, mostrando suas tradições, crenças, religiosidade e costumes. “É um tema que vamos trabalhar do início ao fim. Vamos falar sobre toda a cultura cigana, desde os desejos, as tradições, a religião e a essência desse povo. Estamos levando um trabalho muito forte e acreditamos que será um grande espetáculo”, explica Abnner.
Entre os ensaios e a expectativa pela apresentação, uma certeza une todos os integrantes da Nação Caipira: a quadrilha faz parte da identidade de cada um deles. Para alguns, é um lugar de amizade. Para outros, uma segunda família. Para muitos, uma oportunidade de recomeçar.
O Arraiá do Bera 2026 acontece entre os dias 25 e 28 de junho, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O evento promovido pela Prefeitura de Porto Velho reunirá quadrilhas juninas, apresentações culturais e atrações musicais, além da competição que distribuirá R$ 45 mil em premiações. A campeã receberá R$ 20 mil, a vice-campeã R$ 15 mil e a terceira colocada R$ 10 mil.
Para o prefeito Léo Moraes, histórias como as da Nação Caipira mostram o verdadeiro impacto da cultura popular na vida das pessoas. “As quadrilhas juninas vão muito além da dança. Elas colhem, transformam e criam oportunidades para que jovens e adultos encontrem um espaço de pertencimento e expressão. O Arraiá do Bera é uma celebração dessa força cultural que faz parte da identidade de Porto Velho e que merece ser valorizada e reconhecida”, destacou o prefeito.
Enquanto a contagem regressiva continua, Késsia, Abnner e todos os integrantes seguem os ensaios no Campo do Abobrão. Afinal, para quem encontrou na quadrilha um propósito, cada apresentação é muito mais do que um espetáculo. É uma oportunidade de mostrar ao mundo quem se tornou através da cultura.
Texto: Jhon Silva
Fotos: Hellon Luiz
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)






