A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa novamente na manhã desta quinta-feira (21), em São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. A empresária é um dos alvos da Operação Vérnix, que também mira familiares e pessoas ligadas a Marco Willians Herbas Camacho, apontado como líder da facção criminosa.
Deolane ganhou projeção nacional em 2021, após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin. O artista morreu em 16 de maio daquele ano, aos 23 anos, depois de cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A perícia concluiu que a morte foi acidental e não encontrou sinais de agressão ou luta corporal no quarto.
Após o episódio, Deolane ampliou fortemente sua presença pública, acumulou milhões de seguidores e transformou as redes sociais em vitrine de negócios, publicidade e uma rotina marcada por luxo e ostentação.
Ela também ganhou destaque por sua participação no reality show A Fazenda, da Record, em 2022. A influenciadora deixou o programa após acusar a produção de suposta manipulação das câmeras.
Hoje, Deolane soma cerca de 21 milhões de seguidores no Instagram e construiu uma imagem associada a mansões, carros de luxo, viagens internacionais e publicidade digital. Esse padrão de vida já havia chamado a atenção das autoridades em 2024, quando ela foi presa pela primeira vez durante a Operação Integration, em Pernambuco.
Na ocasião, a investigação apurava suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada a jogos ilegais e plataformas de apostas. Segundo a polícia pernambucana, Deolane teria investido cerca de R$ 65 milhões em imóveis de luxo em apenas três anos. Após 20 dias presa, ela conseguiu habeas corpus e passou a responder em liberdade, sob medidas cautelares.
A investigação da Operação Integration, porém, mudou de rumo neste ano. Em fevereiro, a Justiça Federal em Pernambuco anulou atos da apuração conduzida pela Justiça estadual e determinou que a Polícia Federal assumisse o caso, por entender que havia indícios de crimes de competência federal, como evasão de divisas e crimes contra o sistema financeiro.
Deolane é presa novamente
A nova prisão envolve outro inquérito. Desta vez, o foco das autoridades está em uma suposta engrenagem de lavagem de dinheiro ligada à cúpula do PCC. Na operação, também foram presos Everton de Souza, conhecido como Player e apontado como operador financeiro do grupo, além de outros investigados ligados à família de Marcola.
Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a Deolane, incluindo a residência da influenciadora em Barueri (SP). A Justiça também determinou bloqueios financeiros que, somados, chegam a R$ 357,5 milhões, além do bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da prisão. Segundo relatos ligados à operação, o nome dela chegou a constar em alerta internacional.
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