Um novo estudo divulgado com exclusividade pela BBC News Brasil revela que o algoritmo de recomendações do aplicativo de mensagens Telegram pode direcionar usuários para canais com conteúdo extremista — mesmo quando eles estão buscando assuntos aparentemente inofensivos.
A pesquisa, conduzida pelo grupo de direitos civis Southern Poverty Law Center (SPLC), analisou 28 mil canais no Telegram e constatou que o sistema de sugestões do app, chamado “canais similares”, costuma promover grupos radicais ou ligados a teorias de ódio inclusive quando o usuário olha por temas como tecnologia ou celebridades.
Segundo os pesquisadores, isso significa que usuários que acessam conteúdos “neutros” podem ser rapidamente expostos a grupos extremistas, enquanto quem já busca narrativas conspiratórias vê recomendações ainda mais radicais, incluindo material com conotação antissemita ou nacionalista.
A pesquisa demonstrou esse padrão através de buscas simples: termos como Donald Trump ou revoltas no Reino Unido teriam gerado recomendações automáticas ligadas a teorias conspiratórias e grupos violentos de extrema direita.
Especialistas ouvidos na investigação alertam que essa dinâmica não se limita a conteúdo digital passivo: em alguns casos, o uso do Telegram já teria contribuído para convocações de protestos e mobilizações presenciais por meio de mensagens extremistas.
Em resposta às críticas, a plataforma afirma que os usuários “só recebem conteúdo com o qual escolhem se engajar”, defendendo que suas recomendações são baseadas em tópicos relacionados ao que o próprio usuário já segue.





