A crise fiscal que se avoluma em sua gestão ajuda a explicar a cautela. Os alertas do Tribunal de Contas do Estado não são pontuais nem triviais.
Saúde
Na Secretaria de Estado da Saúde, o rombo revelado — com passivo estimado em R$ 360 milhões — expõe falhas graves de planejamento e gestão. Despesas sem cobertura orçamentária, ausência de contratos formais em áreas sensíveis como a neonatal do Hospital de Base e pagamentos feitos por reconhecimento de dívida formam um quadro que ameaça a continuidade de serviços essenciais.
Segurança
No campo da segurança pública, outro flanco delicado. O reajuste escalonado concedido às forças de segurança, embora politicamente popular, foi encaminhado sem a devida compensação fiscal.
O resultado é um impacto crescente e explosivo: de R$ 1,2 bilhão em 2023 para R$ 2,2 bilhões em 2026, quando a última parcela será paga. Trata-se de uma conta pesada, que pressiona o orçamento e reduz a margem de manobra do governo nos próximos anos.
Sangria Fiscal
Nesse contexto, a desistência “momentânea” da candidatura ao Senado acaba arrastando consigo os planos eleitorais da família Rocha, enfraquecendo um projeto político que parecia desenhado para 2026.
Resta saber se o governador conseguirá, no tempo que lhe resta, estancar a sangria fiscal, reorganizar a casa e recuperar credibilidade administrativa — ou se o anúncio não passará, como avaliam lideranças ouvidas nos bastidores, de mais uma jogada para ganhar fôlego em meio à tempestade.




