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Al Rihla será a bola da Copa no Catar; confira a evolução das bolas ao longo das edições

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Divulgação/Adidas

A Copa do Mundo da FIFA chega à sua 22ª edição em 2022, tendo como sede o Catar, iniciando no dia 20 de novembro. Seguindo a tradição de cada edição, o evento deste ano contará com uma bola preparada especialmente para a ocasião — a Al Rihla, traduzindo para o português “a jornada”, o nome foi revelado em março e foi desenvolvida pela Adidas, patrocinadora oficial do mundial. A novidade traz inúmeras tecnologias pensadas para tornar o jogo mais rápido, mas essa nem sempre foi a realidade.

Ao longo dos 92 anos de existência da competição, a preocupação com o conforto e a performance das bolas foi surgindo lentamente, conforme o futebol ganhava mais importância, as tecnologias evoluíam e novas regras foram sendo estabelecidas.

Mas antes de a Al Rihla rolar pelos gramados do Catar, muitos jornalistas e casas de apostas como a Midnite dão o Brasil como o grande favorito ao título da Copa do Mundo de 2022. No entanto, Argentina e França também surgem como fortes candidatos à conquista.

Agora, conheça um pouco mais de cada uma das bolas e os avanços que elas trouxeram ao jogo.

 

As bolas das primeiras copas do mundo

Nas primeiras edições de Copa do Mundo, não existia um padrão específico para a bola utilizada nos jogos. Tanto que na Copa de 1930, no Uruguai, o primeiro tempo foi com a bola Tiento, fabricada na Argentina, e o segundo tempo com a T-Model, confeccionada no Uruguai. As duas eram feitas à mão. O material utilizado era o couro, com costura espessa e bexiga interna. A diferença entre ambas, é que a bola uruguaia era mais pesada e maior.

T-Model, bola fabricada pelo Uruguai para a final da primeira Copa do Mundo, em 1930 (Imagem: Reprodução/Río Negro)

A segunda edição do campeonato foi realizada na Itália, em 1934, e trouxe algumas evoluções à bola. Desta vez houve um modelo oficial — a Federale 102. Ainda fabricada à mão e em couro, o equipamento contava agora com costura em algodão para ficar mais macia, e trouxe ajustes nos gomos para apresentar formato mais esférico.

Na Copa de 1938, realizada na França, a bola foi desenvolvida pela Allen, cujo nome foi dado ao equipamento. Mesmo trazendo aprimoramentos na costura, que a fizeram mais arredondada, a bola seguia sendo fabricada manualmente, desta vez em tons mais escuros que as antecessoras. Apesar das melhorias, a bola não teve um formato padronizado.

Em virtude da Segunda Guerra Mundial, a Copa do Mundo só voltou a acontecer após 12 anos, em 1950, com sede no Brasil — ano que também ficou marcado pela derrota da seleção brasileira na final contra o Uruguai, no estádio do Maracanã.

A Duplo T foi a bola da Copa do Mundo do Brasil, em 1950, e foi a primeira a substituir a bexiga interna por uma válvula inflável (Imagem: Reprodução/Río Negro)

A espera de 12 anos para o próximo mundial permitiu que houvesse um avanço substancial na produção de bolas, com destaque para a substituição da bexiga interna por uma válvula inflável, o que não apenas reduziu problemas em jogadas aéreas, como também eliminou a necessidade de costuras externas e facilitou o processo de enchimento, já que não era mais preciso descosturá-la. A “Duplo T’ foi o primeiro modelo a ser usado em todas as partidas de um único torneio.

 

A Padronização

Sediada na Suíça, a Copa de 1954 utilizou a “Swiss World Champion”, primeira bola padronizada pela FIFA munida de 18 gomos, pensados para garantir formato mais arredondado, forma que seria usada em algumas bolas nas próximas décadas.

A Swiss World Champion inovou ao trazer 18 gomos, visando oferecer um formato mais arredondado (Imagem: Reprodução/Río Negro)

A edição de 1958 ocorreu na Suécia e teve a Top Star como bola oficial, primeira a utilizar 24 gomos. O modelo também foi o primeiro totalmente fornecido pela FIFA, que reuniu autoridades suecas e representantes do órgão para selecionar uma opção em uma seleção de 100 bolas diferentes.

 

As outras bolas da Copa

Crack

A Copa do Mundo de 1962 aconteceu no Chile, com a “Crack” como bola oficial, e não foi muito bem recebida. Feita pela empresa chilena Custodio Zamora, ela retornou ao padrão de 18 gomos divididos irregularmente e costurados manualmente, mas trouxe como inovação o uso de uma válvula de látex, utilizada posteriormente em outros modelos.

Nem todas as seleções gostaram da Crack, principalmente as europeias. Por isso, cem bolas “Top Star” foram enviadas e usadas após decidirem que a bola Crack não estava à altura do campeonato.

 

Challenge 4-Star

Depois de um teste cego que selecionou oito bolas de 111 enviadas, a “Challenge 4-Star” foi a bola selecionada para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Ela foi fabricada pela empresa Slazenger, hoje responsável por bolas de tênis.

A bola foi a última a ser feita de couro em tom de marrom/laranja. A Challenge 4-Star também foi a primeira a ter uma versão diferente para a final, e embarcava 25 gomos, o maior número até o momento.

 

Telstar

A Copa do Mundo de 1970, no México, foi a primeira a ter uma bola oficial produzida pela Adidas — que se tornaria a fabricante oficial desde então, com contrato estabelecido até a Copa de 2030. Com 32 gomos, os painéis em preto e branco foram criados para melhorar a visibilidade na televisão na primeira Copa do Mundo a ser transmitida no mundo todo, e se tornou uma bola icônica. A FIFA se apegou ao modelo “Telstar” uma abreviação de “Television Star” e a tornou global.

Bola Telstar utilizada na Copa do Mundo, no México, em 1970

Telstar Durlast

A Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, trouxe uma versão ligeiramente melhorada da “Telstar”, chamada “Telstar Durlast”. Não houve mudanças bruscas, apenas aprimoramentos na tecnologia Durlast, que ampliaram a resistência da bola à água.

A partir daí, a Adidas foi estabelecida como parceiros oficiais da FIFA, e foram autorizados a deixar sua marca na bola. Isso fez da Telstar Durlast uma campeã de vendas.

 

Tango

Nomeada em homenagem à famosa dança argentina, a “Tango” foi a bola oficial da Copa do Mundo realizada no país sulamericano, contando com algumas novidades interessantes. Ela era munida de 36 gomos, abandonando os painéis pretos do Telstar para uma base toda branca com triângulos pretos dispostos em um padrão circular, a Tango criava um efeito de ótica quando rolava pela grama. Foi ainda a última a ser fabricada em couro.

 

Tango España

A Adidas não mexeu muito com a fórmula vencedora para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, introduzindo a “Tango Espanha”. A principal novidade foi a adição de costura impermeável, impedindo que a água da chuva aumentasse o peso da bola. Outra novidade foi a colocação do logo de trevo da Adidas.

 

Azteca

A bola oficial da Copa do México, em 1986, foi a primeira a agregar elementos culturais do país-sede, sendo chamada “Azteca”, uma homenagem ao império dos povos nativos que residiam na região antes da colonização. O modelo a primeira a ser produzida com material sintético, permitindo que retornassem à sua forma original após serem chutadas, além de melhor resistência à água e maior durabilidade.

 

Etrusco Unico

A “Etrusco Unico”, da Copa do Mundo da Itália de 1990, seguiu a tendência de homanegear elementos da cultura do país-sede, desta vez fazendo referência aos Etruscos — povo que habitava a região que veio a se tornar a Itália. Entre 1978 e 1998, houve pouca mudança na aparência da bola oficial da Copa.

 

Questra

Para a primeira Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, em 1994, a Adidas apresentou a “Questra”, membro essencial da conquista do Tetracampeonato do Brasil. O tema desta vez foi a viagem espacial, que homenageou a NASA, a agência espacial norte-americana, e ficou evidente tanto no design quanto na tentativa de torná-la um modelo mais futurista. A novidade da vez foi a adição de uma camada de polietileno, que aumentava a velocidade da bola durante os chutes.

 

A Questra foi inspirada na NASA, e adotou uma camada de polietileno que aumentava sua velocidade durante os chutes

Tricolore

A bola “Tricolore”, da Copa de 1998 da França, foi a primeira bola a assumir um design colorido, ela foi a última a utilizar as formas geométricas. Sua principal novidade tecnológica foi a utilização de uma camada extra de espuma sintética, que a tornou mais resistente e distribuía melhor a energia dos impactos pelo corpo.

 

Fevernova

A Copa do Mundo de 2002 foi a primeira a contar com dois países-sede, a Coreia do Sul e o Japão. Para a ocasião, a Adidas preparou a “Fevernova”, ousando no design, trazendo um visual renovado com triângulos nas cores verde, vermelho e dourado. O modelo empregou diversas camadas extras, incluindo uma nova espuma sintética, apresentando maior velocidade. Em aspectos técnicos, a Fevernova foi notada por muitos jogadores por sua leveza.

 

A Fevernova foi protagonista da Copa do Mundo de 2002, contando com um visual renovado inspirado na Coreia do Sul e Japão, países-sede do evento (Imagem: Adidas Brasil)

Teamgeist

Modelo oficial da edição da Alemanha, em 2006, a “Teamgeist”, ou do alemão “espírito de equipe”, marcou uma das maiores mudanças visuais das bolas da Copa do Mundo. O equipamento possuía 14 painéis fixados praticamente sem costura, o que aumentou ainda mais sua impermeabilidade e leveza. Outro detalhe, é que a Adidas produziu uma bola personalizada, impressa com detalhes dos confrontos para cada partida do torneio, e introduziu uma versão especial de ouro – a ‘Teamgeist Berlin’ – para a final.

 

Jabulani

Essa foi uma das bolas mais polêmicas da história das Copas do Mundo, a Jabulani foi o modelo oficial da edição da África do Sul, em 2010. Contava com apenas 8 gomos, e era extremamente leve, sendo duramente criticada pela sua trajetória incerta no ar, especialmente por goleiros.

No final, foi necessário um estudo da NASA para chegar ao fundo da questão. Eles descobriram que a Jabulani começou a se mover no ar a uma velocidade maior do que as bolas anteriores, por causa de sua superfície mais lisa com menos costuras.

A Jabulani contava com 11 cores diferentes, uma homenagem aos diferentes dialetos e etnias do país, também recebeu uma edição especial em cor dourada para a partida final, chamada Jo’bulani.

 

 Brazuca

A Copa do Mundo do Brasil, em 2014, teve como bola oficial a Brazuca, primeira da história a contar com apenas 6 gomos e possuia fitas multicoloridas. Segundo a Adidas, essa bola também foi a mais testada, durante os 2 anos que precederam o campeonato, para garantir que as falhas apontadas na Jabulani não fossem repetidas.

Com apenas 6 gomos, a Brazuca foi a bola oficial da Copa do Mundo mais testada, para garantir que não houvesse os mesmos problemas da Jabulani (Imagem: Reprodução/Río Negro)

Seu nome é uma gíria para “brasileiros” que, segundo a FIFA descreve o “orgulho nacional no modo de vida brasileiro”. A Brazuca atraiu muito menos controvérsia e foi adotada por várias ligas de clubes, incluindo a Bundesliga e a MLS.

 

Telstar

Em novembro de 2017, a Adidas lançou a Telstar 18 – a bola oficial da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. A Adidas decidiu repaginar a lendária Telstar, trazendo à competição a “Telstar 18”. De volta aos 32 gomos, a bola oficial do torneio reutiliza o preto e branco como cores principais, ainda que haja um padrão de mosaico nas placas pretas.

Além de utilizar materiais reciclados diante do maior foco à sustentabilidade, preocupação que ganhou espaço com o avanço desenfreado do aquecimento global, a Telstar 18 embarcou tecnologias bastante avançadas, como chip NFC para fornecer desafios e outras experiências interativas aos consumidores.

 

 

Al Rihla

Lançada oficialmente em março de 2022 para a Copa do Mundo do Qatar, que tem início em 20 de novembro, a “Al Rihla” é a 14ª bola criada pela Adidas para uma edição da competição. Esta será a bola mais rápida já produzida na história das Copas, suportando as velocidades de jogo mais altas.

Com 20 gomos e design inspirado na bandeira do país do Oriente Médio, o modelo estendeu os esforços da Adidas em implementar materiais sustentáveis, com componentes cuidadosamente selecionados e, pela primeira vez em uma bola da Copa, tinta e cola produzidos à base d’água.

Bola oficial da Copa do Mundo do Catar de 2022, a Al Rihla (A Jornada, em árabe) é a primeira a contar com tinta e cola à base d’água e traz diferentes texturas para maior precisão (Imagem: Adidas)

A Al Rihla emprega ainda um novo núcleo, o CTR-Core, adotado para aumentar a precisão, e embarca uma superfície de poliuretano com diferentes texturas para garantir maior estabilidade, velocidade e precisão. Outro fator inédito é que 1% das vendas da novidade serão revertidas para o Common Goal, movimento de caridade que busca usar o futebol como ferramenta para atender a diferentes questões sociais.

Em resumo, a cor arrojada e vibrante, e o grafismo colocado sobre um fundo perolado refletem a velocidade sempre crescente do jogo, com a velocidade revelando um espectro de cores.

 

Conclusão

Agora que você já sabe da história e tecnologias de todas as bolas fabricadas para a Copa do Mundo, é hora de se preparar para o mundial que está bem próximo de começar. Qual a sua seleção favorita para ganhar a Copa do Mundo 2022?

 

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