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Sua empresa acabou de abrir capital na B3. E agora?


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Gostaria de fazer uma reflexão neste artigo sobre alguns pontos que considero relevantes antes e durante o processo de abertura de capital, especialmente relacionados às small caps. Claro que não existe uma receita pronta do que fazer, mas minha ideia é usar a experiência profissional – e o histórico recente da Wiz – para lançar algumas provocações.

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Muito se falou no último ano sobre as small caps por causa do boom de ofertas iniciais de ações (IPO) na B3. Em 2020, mesmo em um ano desafiador, 28 empresas realizaram o IPO, movimentando perto de 45 bilhões de reais. O número impressiona quando olhamos para o passado mais recente: ele foi apenas menor do que vimos em 2007, quando foram realizados 64 IPOs, com captação de 55 bilhões de reais, um recorde no Brasil.

Mas, afinal, o que são small caps? São aquelas companhias cujo valor de mercado varia entre 300 milhões e 2 bilhões de dólares. As empresas com essa classificação normalmente oferecem alto potencial de crescimento por ainda não terem explorado todo seu potencial de mercado.

Com tanta empresa nova na B3, o desafio é como se diferenciar aos olhos do investidor em meio a tantas ações concorrentes. Na tentativa de contribuir às recém-chegadas à B3, listo abaixo 7 sugestões para atrair a atenção de investidores, dos entrantes no mercado aos grandes fundos de investimento:

1. Não se preocupe tanto com o preço da ação

Direcione atenção para a criação de valor. Claro que o valor da sua ação é importante, mas ele deve ser o resultado de uma história muito maior. Gosto de pensar que o investidor é sobretudo um provocador que constantemente questiona a contribuição da sua empresa para a sociedade e paga um preço alto ou baixo a depender da resposta.

Essa forma de enxergar o mercado traz para dentro da companhia uma fonte inesgotável de novas ideias. O preço da ação é a resposta que a empresa oferece para esse processo.

2. Mantenha um canal aberto com investidores

É fundamental para o mercado e para a operação da companhia prover informações de forma rápida. A tempestividade é muito importante para atrair atenção dos investidores. É importante que a companhia mantenha um relacionamento direto com os investidores, provendo informações de qualidade e transparente, fornecendo acesso a um conteúdo que vá além das informações obrigatórias.

3. Mais investidores, menos problemas

Busque uma base de investidores ampla e diversificada. Imagine uma parcela importante das suas ações concentradas em um fundo de investimentos. Agora imagine se este fundo decide mudar sua estratégia e se desfazer das ações de uma hora para a outra. Um número grande de investidores gera diversos benefícios, sendo um dos principais o alto volume transacionado, o que protege o ativo de solavancos no preço.

4. ESG não é só mais uma sigla da moda

Environmental, Social and Governance. Essas três palavras vieram para ficar e cada dia ganham mais peso nos drivers de decisão do investidor. Não me refiro apenas aos investidores qualificados, com grande capacidade de análise e acesso à informação. As pessoas estão cada dia mais atentas a questões como impacto ambiental, inclusão e integridade.

Será cada vez mais comum o investidor punir na Bolsa as empresas que ele vê no noticiário em práticas que estejam em desacordo com o tripé ESG. Seguindo o mesmo raciocínio, aquelas empresas com as melhores práticas ambientais, sociais e de governança poderão ser reconhecidas com a valorização do seu papel.

5. Construa e invista em um canal de Relações com Investidores (RI) de alta qualidade

É primordial que as empresas disponham nessa área conteúdo bem estruturado, didático e consistente, além do cuidado com a precisão e a transparência da informação. O RI deve ir além dos calls de resultados e fatos relevantes. Lembre-se de que muitos dos investidores entrantes no mercado não conhecem as small caps.

Um bom RI deve ser quase uma solução “omnichannel”. Além de materiais, é preciso ter canais de comunicação eficientes, uma equipe bem estruturada e atenta ao ambiente da corporação para conseguir comunicar, de forma simples, o valor da companhia. Isso irá atrair novos investidores e dará mais visibilidade frente ao mercado.

6. Exercite: primeiro faça, depois conte

Não adianta ter um discurso bonito se ele não se sustenta em suas ações. Evite vender determinado projeto ou iniciativa que ainda estão em andamento. Preocupe-se mais com a realização e a construção de projetos sólidos, antes de comunicá-los ao mercado.

7. Não se iluda com o glamour da Faria Lima

Lembre-se de que a construção de valor está no dia-a-dia da sua operação. Esqueça coletinhos, patinetes elétricos e cigarros eletrônicos. Isso tudo já é passado. Evite distrações e direcione esforços no sucesso de sua operação e na forma como atrair e encantar os investidores. A onda de IPOs deve continuar e devemos ter mais empresas interessadas em fazer parte da Bolsa. Então faça sua lição de casa e mãos à obra!

Para encerrar

Antes de tudo, abrir capital significa dar um passo importante na história de uma companhia. Não se trata de conquistar um troféu. A entrada na B3 traz novos recursos, eleva o nível de governança e transforma a companhia, mas só faz sentido para quem tem uma direção bem definida, um propósito claro que faz sentido não apenas dentro de casa.

Se o propósito não está claro, é necessário voltar à prancheta e repensar as conquistas que trouxeram a companhia até este momento e quais serão as conquistas que serão viabilizadas pela abertura de capital.

Pensar nos porquês antes de entrar na bolsa não apenas evita idas a mercado mal sucedidas como previne desgaste da marca e custos desnecessários. Afinal, o mercado representa oportunidades, não problemas.

*Heverton Peixoto é CEO da Wiz, que fez o seu IPO na bolsa em 2015.

Fonte: Revista Exame

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