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A cleantech que levou a P&G para a economia circular


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Com a redução das operações de comércios e indústrias e a popularização do trabalho remoto, o controle sobre a gestão de resíduos fugiu do alcance das empresas. A reciclagem ficou em segundo plano, e as companhias deixaram de ser capazes de selecionar os materiais usados no dia a dia e incentivar a sustentabilidade entre os colaboradores.

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A Trashin, cleantech gaúcha de logística reversa, acredita que a solução para manter a economia circular em expansão está nos condomínios. A startup se uniu à Procter & Gamble (P&G) para estrear um projeto piloto de economia circular e educação ambiental em condomínios residenciais na cidade de São Paulo.


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Ainda em fase inicial, a iniciativa apelidada de Trashin em Casa pretende ajudar condomínios na gestão de resíduos, facilitando o trajeto entre o descarte, a chegada nas cooperativas parceiras e o reuso dos materiais. A proposta é simples: enquanto a Trashin se responsabiliza por toda administração do lixo descartado, a detentora das marcas Pampers e Pantene fica responsável pelo impulsionamento e patrocínio da iniciativa.

Desde 2018, a startup trabalha com a gestão de resíduos recicláveis para empresas, mas mirar os condomínios é algo recente. “Vimos que no caso dos condomínios, existia ainda um grande vazio a ser preenchido em termos de gestão de resíduos e novas alternativas de descarte”, diz Sérgio Finger, cofundador da Trashin. “Por isso, oferecemos desde a educação ambiental e coleta até a destinação correta. Uma solução completa e que olha pro impacto social e ambiental”, diz.


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O Trashin em casa também já está em condomínios no Rio Grande do Sul, Recife e Rio de Janeiro. A parceria com a P&G permite que a cleantech planeje expandir o projeto para outras regiões. “A autoridade da grande empresa abriu as portas para que não apenas outras companhias, mas também os próprios condomínios nos procurassem para fazer parte do projeto”, diz Finger.

Para selecionar os condomínios, a P&G e a Trashin trabalharam em conjunto, levando em consideração a proximidade com a cooperativa escolhida para o projeto e também diferentes realidades socioeconômicas. “A questão logística é um ponto que impacta bastante a operação. Por isso a proximidade com a cooperativa. Já em outros critérios, quisemos escolher diferentes realidades justamente para poder medir o impacto do projeto em diferentes contextos econômicos”, diz.

A educação ambiental consiste na sinalização para a separação de materiais, treinamentos e conscientização de moradores com a distribuição de materiais educativos. O projeto Trashin em Casa também se apoia na transparência das informações, segundo o empreendedor. “Mostramos o que está sendo de fato reciclado, para onde esses resíduos estão indo e quanto isso tudo está gerando em renda para a cooperativa beneficiada”, diz. Em um relatório posterior, a Trashin também devolve ao condomínio dados sobre a receita gerada por cada tipo de material descartado.

Cooperada da Viva Bem, cooperativa beneficiada pelo projeto Trashin em CasaCarlos Macedo/Divulgação

Os benefícios são uma via de mão dupla, segundo Vitor Fernandes, Diretor do Pilar de Sustentabilidade da P&G. Com o contato direto com as cooperativas, a empresa de bens de consumo pode entender quais produtos podem ser de fato reciclados, o que influencia diretamente no design dos produtos da P&G. “Além do benefício ambiental, também quisemos apostar no projeto por acreditar que há um impacto social verdadeiro com tudo isso”, diz.

A empresa já divulgou inúmeras metas ambientais para a próxima década. Entre elas, a promessa de se tornar neutra em carbono até 2030. Olhando para a questão dos resíduos, a P&G quer reduzir em 50% o uso de plástico virgem nas embalagens, além de garantir que 100% das embalagens sejam recicláveis. “Com a ajuda da Trashin estamos mais próximos de atingir as nossas metas e estimular a economia circular e o mercado de plástico, que é crítico para nós”, diz Fernandes.

Com o Trashin em Casa, Singer diz que a empresa deve mirar também grandes companhias preocupadas com a questão ambiental em 2021. Hoje a startup conta com mais de 65 clientes, entre gigantes como Alpargatas, Unimed e Nexa Resources, empresa do grupo Votorantim.

Em 2020, a startup cresceu mais de 500%, segundo Finger. As projeções são positivas para os próximos anos, tendo em vista que a busca de grandes empresas por startups que as ajudem a entrar mais rapidamente na economia circular – mercado que tende a movimentar 4,5 trilhões de reais até 2030 – é crescente.

 

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Fonte: Revista Exame

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