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Confirmadas duas novas mortes de fumantes de cigarro eletrônico em um só dia

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Os EUA registraram na sexta-feira duas novas mortes por doença pulmonar de fumantes de cigarro eletrônico. O primeiro dos casos foi anunciado pelas autoridades sanitárias do Estado de Indiana, que confirmaram a morte de uma pessoa por danos pulmonares graves. Horas depois, o Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles informou sobre outra. São o terceiro e quarto casos reconhecidos nos EUA de mortes de fumantes desse tipo, após outros dois registrados em Illinois, em abril, e no Oregon. Não foram reveladas a identidade, o sexo e a idade dos pacientes. Somente no caso de Indiana, se informou de que era uma pessoa idosa.

Ao mesmo tempo em que as duas mortes foram anunciadas, as autoridades sanitárias nos Estados Unidos elevaram a 450 os possíveis casos de pessoas que têm problemas pulmonares graves. As autoridades de saúde de Los Angeles falam de 12 casos somente no condado em que a cidade está. Há 33 Estados que estão investigando essa escalada, e pedem aos consumidores que deixem de utilizar os dispositivos até que se saiba com clareza a origem das doenças, que pode estar ligada a um composto químico contaminado.

Há duas semanas já foi informado de que os hospitais em 16 Estados receberam nos últimos dois meses pacientes com graves problemas respiratórios. Foram mencionados mais de 150 casos, em sua maioria de jovens que usam vaporizadores de nicotina e um composto psicotrópico de maconha. O Centro para o Controle e a Prevenção das Doenças (CDC, na sigla em inglês) começou uma pesquisa para tentar entender a causa.

Na semana passada, os casos possíveis subiram a 215 em 25 Estados. O CDC está trabalhando agora em estreita colaboração com a Agência de Controle de Drogas e a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) e os departamentos de saúde dos Estados para identificar quais produtos podem estar afetados e acelerar os testes nos laboratórios, já que não está clara a causa definitiva das doenças pulmonares e a que estão ligadas.

A primeira linha de investigação se concentra em cargas de maconha vendidas no mercado negro. As autoridades sanitárias em Nova York disseram nesse sentido que pode ser um aditivo contaminado que contém vitamina E como causa das doenças.

Mas ainda que o CDC e os departamentos de saúde estatais mencionem um aumento dos casos de produtos que contêm o psicotrópico tetraidrocanabinol (THC), não confirmam que seja somente uma substância envolvida apesar do composto químico ser nesse momento a peça fundamental da pesquisa. “Não sabemos quais substâncias são prejudiciais”, diz Kris Box, responsável de saúde pública em Indiana, ao mesmo tempo que pediu para que esses produtos não sejam consumidos.

“É preciso levar em consideração que quando se usa esses dispositivos com outros produtos químicos”, alerta, “não se sabe tudo o que é inalado e o dano que essas substâncias podem causar”. A unidade dedicada a produtos de tabaco da FDA informa que por enquanto recebeu mais de 120 amostras de uma ampla gama de substâncias químicas, incluindo o aditivo com a vitamina E.

Os pacientes que foram hospitalizados mostravam dificuldades para respirar e uma forte dor no peito. Em alguns casos tinham outros sintomas como vômitos, diarreia, febre e cansaço. “Enquanto a investigação continua”, diz Dana Meaney-Delman, do CDC, “aconselhamos aos indivíduos que considerem não utilizar cigarros eletrônicos porque nesse momento é a melhor forma de prevenção”. Alguns dos pacientes usaram vaporizadores de nicotina.

O Congresso dos EUA, por sua vez, também está investigando as principais empresas que fabricam e comercializam dispositivos eletrônicos para a vaporização, pelo impacto que esses produtos podem ter na saúde pública. Preocupa especialmente o uso que os adolescentes fazem desses dispositivos. Também está sob a lupa da FDA, que começou a supervisionar a venda de cigarro eletrônico há três anos.

O acetato de vitamina E pode ser uma substância prejudicial quando é inalada. Parece um óleo. Mas como dizem as autoridades, inúmeros produtos são vendidos, por isso a recomendação de cautela é generalizada. “Quando tivermos mais informação”, diz a responsável do CDC no comando da investigação, “poderemos especificar os produtos de cigarro eletrônico afetados”.

Todos os pacientes diagnosticados mostram um tipo de pneumonia que costuma ocorrer quando moléculas de gordura e óleos entram nos pulmões, provocando a infecção. Alguns dos pacientes tratados precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva e receberam ajuda para respirar. Os especialistas em questões pulmonares há tempos alertam que as recargas compradas nas ruas significam um risco, porque podem estar contaminadas.

Os políticos em Washington, por sua vez, questionam tanto os fabricantes dos dispositivos como os reguladores pela pouca informação que os consumidores têm sobre os riscos ligados a esses produtos alternativos ao tabaco tradicional e que se apresentam como uma opção mais saudável aos cigarros. A empresa Juul lidera por larga margem esse mercado. Seu uso cresceu de maneira vertiginosa durante os últimos anos entre os adolescentes.

Com o aumento das internações de fumantes de cigarro eletrônico por doenças pulmonares nos últimos meses, médicos e responsáveis de saúde pública analisaram os casos na prestigiosa revista científica New England Journal of Medicine, em que definem como “preocupante” a tendência registrada. A principal causa das doenças dos vaporizadores continua sendo desconhecida, mas a revista alerta sobre uma epidemia em seu editorial. Como diz David C. Christiani, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, que publicou na sexta-feira: “Ainda que seja necessário pesquisar mais para determinar qual agente ou agentes da vaporização são responsáveis, com toda a certeza há uma epidemia que pede uma resposta urgente”.

Sem identificar uma causa concreta, Christiani diz em seu artigo que os fluidos dos cigarros eletrônicos contêm “pelo menos seis grupos de componentes potencialmente tóxicos”. Entre eles, nicotina, benzina e tolueno. Também afirma que dois flavorizantes estão relacionados com possíveis modificações genéticas.

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