Polícia Federal prende ex-governador do Amazonas por corrupção

Polícia Federal prende ex-governador do Amazonas por corrupção

A Polícia Federal do Amazonas prendeu o ex-governador do Amazonas, José Melo (Pros), na manhã desta quinta-feira (21), em Manaus, em uma nova fase da Operação “Maus Caminhos”, que investiga desvios de verbas públicas da Saúde do Estado.

Segundo a PF, o ex-governador recebia pagamentos periódicos de membros de organização criminosa. A terceira fase da operação “Maus Caminhos”, denominada “Estado de Emergência”  tem objetivo investigar crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de capitais e de organização criminosa envolvendo o ex-chefe maior do Estado. Segundo a PF, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em Manaus e em Rio Preto da Eva.

“Os fatos relacionados ao envolvimento do ex-governador do Estado somente apareceram após o avanço das investigações (da ‘Maus Caminhos’) e dão conta de que o chefe maior do executivo estadual recebia pagamentos periódicos (propina) dos membros da organização criminosa”, declarou a Polícia Federal. Às 10h50 de hoje, José Melo chegou à sede da Superintendência da PF, no bairro Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste da cidade, após ter sido preso na residência dele.

Gabinete de crise’

Conforme a PF, José Melo chegou a criar um “gabinete de crise” para facilitar os recebimentos dos pagamentos de propina da organização criminosa. Tal “gabinete de crise” seria composto pelas secretarias estaduais de Saúde, Casa Civil, Fazenda e Administração e Gestão, cujos secretários titulares à época foram presos na semana passada durante a deflagração da segunda fase da “Maus Caminhos”, nomeada de “Custo Político”.

São os ex-dirigentes do governo Melo presos dois ex-secretários de Saúde, Wilson Alecrim e Pedro Elias, o ex-secretário de Administração e Gestão Evandro Melo – irmão de José Melo, o ex-secretário de Fazenda Afonso Lobo e o ex-secretário de Casa Civil Raul Zaidan, entre outros. Também foi preso, novamente, o médico e empresário Mouhamad Moustafa, principal alvo da primeira fase da Maus Caminhos.

Estado de Emergência’

De acordo com a Polícia Federal, o nome da terceira fase da “Maus Caminhos”, “Estado de Emergência”, faz menção à calamidade dos serviços públicos à época do esquema. “É uma referência à situação de calamidade pública que se encontrava a prestação de serviços públicos de Saúde no Estado, sendo decretado (o estado de emergência econômica) pelo então governador, em 31 de agosto de 2016, mês anterior à deflagração da primeira fase da Operação Maus Caminhos”.

“A investigação abrange os crimes praticados pelos membros da organização criminosa alvo da primeira fase (da ‘Maus Caminhos’) que corromperam diversos agentes públicos do Estado do Amazonas, por meio do pagamento de propina, utilizando-se de recursos públicos desviados do Fundo Estadual de Saúde, para o fim de obter o direcionamento de contratos, acelerar a liberação de pagamentos e acobertar os ilícitos praticados”, finalizou a PF.

José Melo cassado

José Melo (Pros) e o então vice-governador Henrique Oliveira (SD) foram cassados e perderam o mandato no Governo do Amazonas em janeiro de 2016, em decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), por acusação de compra de votos durante as eleições de 2014. Eles recorreram da decisão, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a cassação em maio deste ano.

Custo Político

A Operação Custo Político foi deflagrada pela PF, Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria-Geral da União (CGU) no último dia 13 de dezembro. Conforme denúncia, o primeiro escalão das pastas de Saúde, Administração, Casa Civil de José Melo recebia “mensalinho” que variava entre R$ 83,5 mil e R$ 133,5 mil de 2014 a 2016, período em que a PF investigou o esquema. A estimativa é de que R$ 20 milhões tenham sido pagos em propina.

Maus Caminhos

A operação Maus Caminhos foi deflagrada pela primeira vez em setembro de 2016 com foco em desmantelar uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas através de contratos com empresas terceirizadas, sendo a principal operadora do esquema o Instituto Novos Caminhos (INC), de propriedade de Mouhamad Moustafa e que inspirou o nome da operação. Na época, a PF afirmou que mais de R$ 110 milhões foram desviados.

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