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Rondônia, terça, 13 de outubro de 2026.

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Outubro Rosa: Mais de 70% das mulheres estão fora da cobertura de mamografia no SUS; Oncoguia alerta para 10 verdades que toda mulher precisa conhecer

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Radar do Câncer aponta falha histórica no rastreamento no SUS; Instituto Oncoguia reforça a importância da informação para combater mitos, estimular a realização dos exames e ajudar mulheres a cuidar da própria saúde.

Todos os anos, o Brasil se veste de rosa para falar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas existe um dado que incomoda e que precisa ganhar mais espaço nessa conversa.

Ao longo da última década, a cobertura estimada de mamografia de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS), entre mulheres de 50 a 69 anos, não chegou a 30%, ou seja, mais de 70% não realizaram os exames necessários para detectar a doença, segundo dados disponíveis no Radar do Câncer, plataforma do Instituto Oncoguia que reúne indicadores públicos sobre o câncer no Brasil.

É um número que chama a atenção não apenas pela baixa cobertura, mas pela persistência do problema ao longo de tantos anos de campanhas de conscientização.

Por que tantas mulheres ainda estão fora do rastreamento? O que impede que a informação sobre a importância da mamografia se transforme em cuidado?

As respostas são muitas. Envolvem dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desigualdades sociais e territoriais, obstáculos para agendar e realizar exames e também questões relacionadas à conscientização e à adesão das próprias mulheres ao rastreamento.

Para o Instituto Oncoguia, é preciso enfrentar todas essas barreiras. Mas existe uma que não pode continuar sendo ignorada: a falta de informação.

“É claro que precisamos continuar cobrando acesso, exames disponíveis e diagnóstico em tempo oportuno. Mas também precisamos olhar para aquilo que podemos transformar com informação. Ainda existem mulheres que acreditam que só precisam fazer mamografia se sentirem algum caroço, que não correm risco porque não têm casos de câncer na família ou que podem deixar o exame para depois. E essas ideias podem fazer com que oportunidades de diagnóstico precoce sejam perdidas”, afirma Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.

Neste Outubro Rosa, a organização reúne dez verdades sobre o câncer de mama que toda mulher deveria conhecer. São informações que ajudam a combater mitos, reconhecer sinais de alerta, compreender os riscos e participar de forma mais consciente das decisões sobre a própria saúde.

10 verdades sobre o câncer de mama que toda mulher precisa conhecer

 

  1. Não ter casos de câncer de mama na família não significa que você está protegida.

A maioria das mulheres que desenvolvem câncer de mama não tem histórico familiar da doença. Apenas cerca de 5% a 10% dos casos estão relacionados a alterações genéticas hereditárias. Portanto, mesmo quem não tem familiares com câncer de mama precisa conhecer seus riscos e estar atenta aos cuidados recomendados.

  1. Não sentir nenhum caroço não significa que está tudo bem

O câncer de mama pode se desenvolver sem provocar sintomas perceptíveis. A mamografia é importante justamente porque pode identificar alterações suspeitas antes que sejam percebidas pela mulher. Esperar aparecer um caroço para procurar atendimento pode significar perder uma oportunidade de diagnóstico precoce.

  1. Nem todo câncer de mama aparece como um caroço

Mudanças no formato da mama, alterações na pele, retração do mamilo, secreção espontânea, especialmente com sangue, e nódulos nas axilas também podem ser sinais de alerta. Conhecer as próprias mamas ajuda a perceber mudanças e procurar atendimento quando algo parece diferente.

  1. Mamografia não é um exame que deve ser feito apenas quando existe algum sintoma

 

A mamografia de rastreamento é indicada justamente para mulheres sem sintomas. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento populacional a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos. Mulheres entre 40 e 49 anos também podem realizar o exame no SUS, após orientação profissional sobre benefícios e riscos. Sociedades médicas brasileiras recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos. O importante é conhecer seu risco e conversar com um profissional de saúde sobre quando começar e com que frequência realizar o exame.

  1. Ter feito uma mamografia normal não significa que qualquer alteração futura pode ser ignorada

Nenhum exame é perfeito. Algumas alterações podem não ser identificadas pela mamografia, especialmente em mulheres com mamas densas. Se surgir algum sinal suspeito, é importante procurar avaliação médica, mesmo que a última mamografia tenha apresentado resultado normal.

  1. Câncer de mama não é uma doença única

 

Existem diferentes subtipos de câncer de mama, com características e comportamentos distintos. Por isso, duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem precisar de tratamentos completamente diferentes. Conhecer o subtipo, o estágio da doença e as opções terapêuticas é fundamental para participar das decisões sobre o tratamento.

  1. Descobrir o câncer de mama mais cedo pode fazer uma enorme diferença

 

Quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer de mama geralmente apresenta maiores possibilidades de tratamento bem-sucedido e, em muitos casos, pode exigir intervenções menos agressivas. O diagnóstico precoce não garante a cura de todos os casos, mas aumenta as oportunidades de melhores resultados.

  1. Ter hábitos saudáveis ajuda a reduzir o risco, mas não elimina a possibilidade de desenvolver câncer de mama

Praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e amamentar são medidas que podem contribuir para reduzir o risco da doença. Mas mesmo mulheres que adotam hábitos saudáveis podem desenvolver câncer de mama. Por isso, prevenção e detecção precoce precisam caminhar juntas.

  1. Receber o diagnóstico de câncer de mama não significa necessariamente perder a mama ou precisar de quimioterapia

Os tratamentos evoluíram muito e hoje existem diferentes possibilidades, incluindo cirurgias conservadoras, radioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. A indicação depende das características do tumor e da situação de cada paciente. Informação e decisão compartilhada são fundamentais para que a mulher compreenda suas opções e participe das escolhas.

  1. Saber que precisa fazer mamografia não significa conseguir realizar o exame

Esta talvez seja uma das verdades mais importantes para o Brasil. Muitas mulheres conhecem a importância da mamografia, mas enfrentam dificuldades para conseguir agendar o exame, deslocar-se até o serviço, receber o resultado ou dar continuidade à investigação de uma alteração suspeita.

As desigualdades sociais, econômicas, raciais e territoriais interferem nas oportunidades de diagnóstico precoce. Por isso, conscientizar é fundamental, mas garantir acesso também é. Informação não resolve todas as barreiras. Mas a falta dela não pode ser mais uma.

Para Luciana Holtz, o Outubro Rosa precisa continuar sendo um momento de mobilização, mas também de reflexão sobre o que ainda impede as mulheres de cuidar da própria saúde.

“Eu trabalho com câncer há mais de 20 anos e sei o quanto a informação pode mudar a vida de uma pessoa. Sei também que existem mulheres que fazem tudo certo e, ainda assim, encontram portas fechadas quando precisam de cuidado. Não podemos responsabilizar as mulheres por todas as dificuldades do sistema de saúde. Mas também não podemos aceitar que alguém deixe de fazer um exame importante simplesmente porque não sabe que precisa, porque acredita em informações erradas ou porque não entende seus riscos.”

A presidente do Oncoguia reforça que conhecer as próprias mamas, compreender o risco individual, conversar sobre a mamografia e buscar informações confiáveis são atitudes importantes que precisam fazer parte da rotina de cuidado.

“Meu convite neste Outubro Rosa é simples: olhe para você, conheça seus riscos, procure saber quando deve fazer sua mamografia e não deixe sua saúde sempre para depois. E, se você já sabe de tudo isso, compartilhe essas informações com outras mulheres. Informação também é uma forma de cuidado”, conclui.

Os dados deste material foram retirados do painel: https://radardocancer.org.br/cancer-pulmao

Sobre o Radar do Câncer

O Radar do Câncer é uma plataforma desenvolvida pelo Instituto Oncoguia que compila, organiza e cruza dados de diversas fontes públicas do Sistema Único de Saúde (SUS). A ferramenta foi idealizada para oferecer a pesquisadores, jornalistas, gestores e à sociedade civil um diagnóstico transparente sobre os impactos da doença no país. Ao simplificar o acesso a indicadores estratégicos da oncologia brasileira, a iniciativa visa combater gargalos na assistência, aprimorar a qualidade dos dados governamentais e embasar políticas públicas regionais mais efetivas e fiscalizáveis.

Sobre o Instituto Oncoguia

O Instituto Oncoguia – Associação Brasileira de Defesa do Paciente com Câncer – é uma organização sem fins lucrativos que há 16 anos atua para informar, apoiar, orientar e defender os direitos das pessoas impactadas pelo câncer.

Com o propósito de fortalecer pessoas tocadas pelo câncer para que vivam essa jornada com mais autonomia, dignidade e participação, o Oncoguia desenvolve projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio ao paciente, advocacy e defesa de direitos, contribuindo para ampliar o acesso e qualificar o cuidado oncológico no Brasil.

Entre suas principais frentes de atuação estão:

  • Canal de atendimento gratuito: orientação individualizada para esclarecimento de dúvidas e apoio na resolução de questões relacionadas a direitos, acesso ao tratamento e qualidade de vida. Atendimento pelo 0800 773 1666 e WhatsApp (11) 94242-8536.
  • Portal de informação: conteúdo atualizado, acessível e baseado em evidências para apoiar pacientes e familiares em diferentes etapas da jornada do câncer.
  • Advocacy e defesa de direitos: atuação junto a órgãos públicos, gestores e tomadores de decisão para contribuir com políticas públicas e ampliar o acesso ao cuidado oncológico.
  • Rede de voluntariado: mobilização de pessoas e profissionais comprometidos com a causa e com o acolhimento da comunidade oncológica.
  • Rodas de Conversa: espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências para pacientes e familiares.

Saiba mais em: www.oncoguia.org.br

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