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Rondônia, quarta, 07 de outubro de 2026.

Saúde

Inteligência Artificial (IA) preenche o espaço entre a consulta e a vida real de quem enfrenta o câncer, aponta pesquisa do Oncoguia

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Levantamento com 1.186 participantes sugere que pacientes recorrem à tecnologia para compreender exames, diagnósticos e tratamentos; médico permanece como principal referência de confiança

A inteligência artificial já está presente na jornada de quem enfrenta o câncer, especialmente, nos momentos em que surgem dúvidas sobre um exame, um diagnóstico, um efeito colateral ou uma possibilidade de tratamento.

Pesquisa com pacientes oncológicos realizada pelo Instituto Oncoguia mostra que 8 em cada 10 (82%) dos participantes já utilizaram alguma ferramenta de inteligência artificial para cuidar da saúde ou esclarecer questões relacionadas ao câncer e ao tratamento.

O levantamento reuniu 1.186 respostas e retrata predominantemente a experiência direta de pacientes: 55% estavam em tratamento ativo e 38% haviam concluído o tratamento e permaneciam em acompanhamento. Somados, esses grupos representam 93% da amostra.

Entre os 976 participantes que confirmaram usar IA para assuntos sobre saúde ou câncer, a principal finalidade é compreender resultados de exames, mencionada por 79,5%. Também aparecem a busca por explicações sobre o diagnóstico, com 67%; efeitos colaterais e maneiras de aliviá-los, com 64%; tratamentos para o próprio caso, com 57%; e medicamentos, com 51%.

Os resultados indicam que a IA está sendo utilizada principalmente para traduzir informações complexas e ajudar o paciente a compreender melhor a própria jornada de cuidado.

IA pode estar preenchendo lacunas de informação

Para o Instituto Oncoguia, os dados levantam uma hipótese importante: a inteligência artificial pode estar ocupando um espaço que nem sempre é plenamente atendido ao longo do cuidado — a necessidade de compreender informações complexas no momento em que a dúvida aparece e no ritmo de cada paciente.

“A utilização nos mostra que os pacientes não buscam apenas mais informação. Eles buscam tradução, contexto, disponibilidade e apoio para formular perguntas que muitas vezes surgem depois da consulta ou durante a rotina do tratamento”, afirma Luciana Holtz, psico-oncologista e presidente do Instituto Oncoguia.

A pesquisa coloca, assim, uma questão para todo o sistema de saúde: o que os pacientes estão buscando na inteligência artificial que gostariam de receber, com mais tempo, clareza e disponibilidade, ao longo da própria jornada?

Benefício percebido é alto

Entre os usuários de IA, 93% afirmam que a tecnologia ajudou a compreender melhor a doença ou o tratamento. Para 62%, ajudou muito; para 31%, ajudou um pouco.

Quase metade dos usuários, 47%, recorre à IA algumas vezes por semana (15% todos os dias). A intensidade de uso aparece associada ao benefício percebido: 76% dos usuários mais frequentes dizem que a IA ajudou muito, em comparação com 25% daqueles que utilizaram a tecnologia uma única vez ou raramente.

Essa associação não permite afirmar que o uso mais frequente seja a causa do maior benefício. Ela mostra, porém, que a IA já ocupa um espaço relevante na rotina informacional dos participantes.

ChatGPT e Gemini lideram entre as ferramentas utilizadas

Entre os usuários, o ChatGPT é a ferramenta mais mencionada, com 69%. Em seguida aparecem o Gemini, do Google, utilizado por 57%, e a Meta AI, disponível no WhatsApp, com 25%.

Como os participantes podiam selecionar mais de uma alternativa, os percentuais não somam 100%.

Benefício não elimina as preocupações

A percepção positiva convive com dúvidas importantes sobre segurança e confiabilidade. Entre os usuários, 58% têm receio de receber informações incorretas e 52% temem não conseguir identificar se uma resposta é confiável.

A privacidade dos dados preocupa 28%. Também aparecem o receio de ficar mais ansioso, citado por 19%; o medo de encontrar prognósticos ou notícias ruins sobre a doença, com 17%; e a possibilidade de receber orientações que substituam inadequadamente o médico, com 8%.

Apesar dos riscos, 79% dos usuários dizem conferir as respostas da IA sempre ou na maioria das vezes. Apenas 7% afirmaram nunca fazer essa verificação.

“O Oncoguia nasceu para cobrir a lacuna da falta de informação de qualidade e útil, e por todos esses anos seguimos criando ferramentas educativas e defendendo a importância do letramento em saúde diante do câncer. Com a chegada da IA, o acesso parece mais fácil, mas também precisa de orientação sobre como utilizá-las de maneira crítica e segura. Quando a tecnologia é bem utilizada, todos ganham: o paciente chega mais preparado e a conversa com a equipe de saúde pode se tornar mais qualificada”, afirma Luciana.

Médico continua sendo a principal referência

O avanço da IA não significa, até o momento, o afastamento da equipe de saúde. Para 65% dos participantes, o médico é a principal fonte de confiança para confirmar uma informação obtida por meio da tecnologia.

Entre os usuários, 65% já levaram alguma informação encontrada em ferramentas de IA para conversar com um médico ou outro profissional de saúde. Outros 8% ainda não fizeram isso, mas pretendem.

Os dados apontam para uma nova dinâmica entre paciente, inteligência artificial e equipe de saúde. A tecnologia pode ajudar o paciente a compreender informações, organizar dúvidas e se preparar para uma conversa mais qualificada durante a consulta.

“O médico continua sendo a principal referência para validar essas informações. A pergunta que precisamos fazer não é quando isso vai mudar, mas como profissionais e serviços de saúde podem responder às necessidades que os pacientes já estão manifestando ao utilizar a IA”, avalia Luciana.

IA também é usada para entender direitos

Além das questões clínicas, 41% dos usuários disseram já ter utilizado IA para entender direitos do paciente, como benefícios, leis e prazos.

Outras finalidades mencionadas foram traduzir laudos e relatórios médicos complexos, com 49%; buscar informações sobre alimentação, bem-estar e atividade física, com 46,5%; explicar termos médicos difíceis, com 42%; e organizar sintomas ou efeitos colaterais para apresentar na consulta, com 21%.

Participantes querem orientação para usar IA com segurança

A demanda por educação aparece de maneira direta: 81% dos participantes gostariam que o Oncoguia oferecesse conteúdos ensinando como utilizar inteligência artificial de forma segura para obter informações sobre câncer. Outros 17% responderam “talvez”. Apenas 2% não demonstraram interesse.

“Os pacientes pediram e nós já começamos a responder. Junto com os resultados da pesquisa, estamos lançando um e-book para apoiar o uso seguro e responsável das ferramentas de inteligência artificial. Queremos ajudar o paciente a aproveitar os benefícios da tecnologia sem perder o olhar crítico e sem substituir a orientação da equipe de saúde”, explica Luciana.

Guia Inteligência Artificial e Câncer

Sobre a pesquisa

A Pesquisa Oncoguia sobre Inteligência Artificial e Câncer reuniu 1.186 respostas por meio de questionário online e voluntário entre julho e setembro de 2026.

Trata-se de uma amostra não probabilística e autosselecionada. Portanto, os resultados descrevem os participantes do levantamento e não devem ser interpretados como estimativas sobre todas as pessoas com câncer no Brasil.

Sobre o Instituto Oncoguia

O Instituto Oncoguia – Associação Brasileira de Defesa do Paciente com Câncer – é uma organização sem fins lucrativos que há 16 anos atua para informar, apoiar, orientar e defender os direitos das pessoas impactadas pelo câncer.

Com o propósito de fortalecer pessoas tocadas pelo câncer para que vivam essa jornada com mais autonomia, dignidade e participação, o Oncoguia desenvolve projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio ao paciente, advocacy e defesa de direitos, contribuindo para ampliar o acesso e qualificar o cuidado oncológico no Brasil.

Entre suas principais frentes de atuação estão:

  • Canal de atendimento gratuito: orientação individualizada para esclarecimento de dúvidas e apoio na resolução de questões relacionadas a direitos, acesso ao tratamento e qualidade de vida. Atendimento pelo 0800 773 1666 e WhatsApp (11) 94242-8536.
  • Portal de informação: conteúdo atualizado, acessível e baseado em evidências para apoiar pacientes e familiares em diferentes etapas da jornada do câncer.
  • Advocacy e defesa de direitos: atuação junto a órgãos públicos, gestores e tomadores de decisão para contribuir com políticas públicas e ampliar o acesso ao cuidado oncológico.
  • Rede de voluntariado: mobilização de pessoas e profissionais comprometidos com a causa e com o acolhimento da comunidade oncológica.
  • Rodas de Conversa: espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências para pacientes e familiares.

Saiba mais em: www.oncoguia.org.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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