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Rondônia, quarta, 03 de junho de 2026.

Saúde

Mais de 86% das mortes infantis por doenças preveníveis ocorreram antes do fortalecimento da vacinação, aponta estudo da UFF

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Análise de seis décadas construída no HUAP documenta redução drástica de óbitos infantis por tétano, sarampo e difteria

Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou o impacto direto da vacinação na redução da mortalidade infantil por doenças infecciosas preveníveis no Brasil. O estudo analisou 60 anos de registros de internações pediátricas no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP-UFF) e identificou que mais de 86% das mortes por doenças imunopreveníveis ocorreram entre 1965 e 1985, antes da consolidação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Publicado na revista científica Acta Tropica, o levantamento analisou 3.968 internações de crianças entre 0 e 10 anos por doenças como tétano, sarampo, difteria, meningite, coqueluche e poliomielite. Ao longo do período, foram registrados 779 óbitos. Nas décadas seguintes ao fortalecimento das campanhas vacinais, as mortes despencaram até praticamente desaparecerem para algumas dessas enfermidades.

 

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Serviço de Doenças Infectoparasitárias (DIP-HUAP) e da Faculdade de Medicina da UFF, liderados pela infectologista Patrícia Yvonne Maciel Pinheiro, chefe do DIP-HUAP, e pelo professor Ezequias Batista Martins. O estudo reuniu seis décadas de prontuários, fichas clínicas e registros hospitalares preservados pelo serviço de infectologia do HUAP, parte deles originalmente produzidos de forma manual e posteriormente incorporados a um banco informatizado.

Os resultados mostram que a mortalidade infantil era especialmente elevada nos primeiros anos de vida. Entre crianças de até 1 ano, a taxa de mortalidade chegou a 28,89%. O tétano e a meningoencefalite responderam por mais da metade dos óbitos registrados no período, principalmente entre bebês. “Os dados mostram isso de maneira incontestável. Conforme a cobertura vacinal aumentou, as mortes despencaram”, afirma Martins.

Às vésperas do Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9 de junho, os pesquisadores alertam que o estudo também dialoga com o cenário atual de queda da cobertura vacinal e avanço da desinformação sobre imunizantes. “O sarampo já voltou a preocupar em alguns lugares. Isso mostra que nenhuma conquista é definitiva”, afirma Martins. Para Patrícia Pinheiro, “basta a população deixar de se vacinar para colocar em risco uma proteção coletiva construída ao longo de décadas”.

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Brasil Digital
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