Saúde

Lúpus ainda enfrenta diagnóstico tardio e desinformação, alertam especialistas da UFF

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Ricardo Brandão
Jornalista do site Portalrondonia.com com mais de 15 anos no jornalismo [email protected]

Em celebração ao Dia Mundial do Lúpus, médicos destacam sinais de alerta, impacto da doença e importância do acompanhamento precoce

Celebrado em 10 de maio, o Dia Mundial do Lúpus busca ampliar a conscientização sobre a enfermidade, que, segundo o Ministério da Saúde, é de nove a dez vezes mais frequente em mulheres, especialmente entre 15 e 45 anos. Entre os principais desafios estão o acesso ao diagnóstico especializado, a identificação precoce do comprometimento de órgãos internos e a adesão ao tratamento contínuo.

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que pode comprometer diferentes órgãos e tecidos do corpo, causando desde fadiga, febre e dores articulares até complicações graves nos rins, pulmões e sistema nervoso. Apesar dos avanços no tratamento, especialistas alertam que o diagnóstico ainda costuma ocorrer de forma tardia, principalmente pela variedade de sintomas e pela dificuldade de reconhecimento da doença nos atendimentos iniciais.

Imagem do site https://www.saventiccare.com.br/knowledge-base/diseases/lupus/

Para abordar o assunto sobre os sintomas, fatores de risco, evolução clínica e avanços terapêuticos, a Universidade Federal Fluminense (UFF) disponibiliza para entrevistas o professor de reumatologia, Rodrigo Poubel Vieira de Rezende, pesquisador nas áreas de epidemiologia e vacinação em doenças reumáticas autoimunes, e a reumatologista pediátrica do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), Katia Lino.

Os especialistas também abordam temas como nefrite lúpica, vacinação em pacientes imunossuprimidos, impactos psicossociais da doença e os serviços oferecidos pelo Huap para acompanhamento de casos complexos.

Autor: Universidade Federal Fluminense

 

 

Mais informações:

Lúpus Eritematoso Sistêmico

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), comumente conhecido apenas como lúpus, é uma doença autoimune crônica classificada entre os distúrbios sistêmicos do tecido conjuntivo. Ele pode afetar múltiplos órgãos e sistemas, incluindo pele, rins, articulações, sistema cardiovascular, sistema nervoso e sistema hematopoiético (formador de células sanguíneas).

Se não for tratado ou for mal controlado, o LES pode levar a danos permanentes e, frequentemente, em múltiplos órgãos. A doença ocorre muito mais frequentemente em mulheres do que em homens. Um dos sintomas iniciais característicos é uma erupção facial em formato de borboleta sobre as bochechas e o nariz, que se tornou o símbolo da conscientização sobre o lúpus.

Um dos sinais principais do Lúpus é a erupção facial em forma de borboleta nas bochechas e no nariz. Imagem via Science Photo Library.

Sinais de Lupus

O lúpus pode afetar muitas partes do corpo, e seus sintomas geralmente aparecem de forma gradual. Sintomas comuns a serem observados incluem:

  • Fadiga e fraqueza
  • Dor e inchaço nas articulações
  • Erupção facial em forma de borboleta sobre as bochechas e o nariz
  • Febre sem causa aparente
  • Queda de cabelo (alopecia não cicatricial)
  • Úlceras na boca
  • Sensibilidade à luz solar (fotossensibilidade)
  • Hematomas ou sangramentos inexplicáveis

Como esses sintomas podem se sobrepor a outras condições, o reconhecimento precoce e a avaliação médica são essenciais para prevenir danos a órgãos e melhorar os desfechos a longo prazo.

Causas e Fatores de Risco

A causa exata do lúpus ainda é desconhecida, mas pesquisas mostram que ele se desenvolve em indivíduos geneticamente predispostos quando combinados a fatores ambientais ou biológicos. Estes podem incluir:

  • Infecções
  • Fatores hormonais (o estrogênio desempenha um papel na maior prevalência entre mulheres)
  • Medicamentos (lúpus induzido por drogas)
  • Fatores ambientais, como radiação ultravioleta (UV)

O lúpus não é herdado diretamente, mas a suscetibilidade genética aumenta o risco, especialmente se houver histórico familiar de doenças autoimunes.

Porque o diagnóstico precoce importa

Como o lúpus apresenta uma ampla gama de sintomas e pode imitar outras condições, o diagnóstico muitas vezes é atrasado. No entanto, o atraso no diagnóstico piora o prognóstico e torna mais difícil alcançar a remissão a longo prazo. O reconhecimento e o tratamento precoces são cruciais para:

  • Prevenir danos irreversíveis aos órgãos
  • Melhorar a qualidade de vida
  • Reduzir crises (flares) e hospitalizações
  • Prolongar a sobrevida

Diagnóstico

Na prática clínica, os médicos utilizam os critérios de classificação EULAR/ACR de 2019. O diagnóstico requer:

  • Anticorpos antinucleares (ANA) positivos maior que >1:80 em células Hep-2 (necessário para classificação)
  • Pontuação de pelo menos 10 pontos, com base em uma combinação de critérios clínicos e imunológicos

Critérios Clínicos:

  • Febre acima de 38,3°C
  • Queda de cabelo não cicatricial (alopecia)
  • Úlceras na boca
  • Convulsões, psicose ou delirium
  • Pericardite aguda ou derrame pleural
  • Baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia) ou leucócitos (leucopenia)
  • Envolvimento renal (proteinúria major que >0,5 g/dia)

É importante destacar que esses sintomas não precisam aparecer ao mesmo tempo — eles podem ocorrer em diferentes fases da doença.

Embora os critérios de classificação orientem o diagnóstico, o lúpus às vezes pode ser confirmado clinicamente mesmo sem o preenchimento de todos os critérios, refletindo a apresentação complexa e variável da doença.

Tratamento para Lupus

O LES exige cuidados multidisciplinares, com foco em sobrevida, proteção de órgãos, prevenção de crises e qualidade de vida.

Abordagens padrão:

  • Agentes antimaláricos para a maioria dos pacientes sem contraindicações
  • Glicocorticoides para controlar inflamação e atividade da doença
  • Imunossupressores e agentes citotóxicos, utilizados conforme a gravidade e o envolvimento dos órgãos

Objetivos de Tratamento:

  • Terapia imunossupressora intensiva no início da doença para prevenir danos irreversíveis
  • Manejo a longo prazo para reduzir recidivas
  • Tratamento de comorbidades (hipertensão, infecções, anemia, diabetes, miosite), comuns em pacientes com LES

Epidemiologia

A incidência global do lúpus eritematoso sistêmico é estimada entre 0,5 e 30 casos por 100.000 pessoas por ano, com maior prevalência em mulheres em idade fértil. O melhor reconhecimento das formas leves tem levado a um aumento nas taxas de diagnóstico em todo o mundo.

Fonte:

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Brasil Digital
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