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Rondônia, sexta, 28 de janeiro de 2022.



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Jack Dorsey: uma trajetória a 140 caracteres


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Com cerca de 200 milhões de usuários, o Twitter, se fosse um país, teria quase o tamanho do Brasil, em número de habitantes. É natural, portanto, que cada mudança em sua governança provoque barulho — ou produza debate entre seus habitantes, ou, mais apropriado para este caso, usuários. Foi o que se viu nesta segunda-feira, 29, com o fim da ‘Era Jack Dorsey‘, uma gestão que durou seis anos e que permitiu o retorno e redenção do excêntrico fundador da rede social que tem um verbo pra si mesma.

Dorsey nasceu em Saint Louis, no estado americano do Missouri, em 19 de novembro de 1976. Sendo uma criança e adolescente tímido, começou a se interessar por programação depois que ganhou um computador dos pais. Sozinho, aprendeu a programar. Aos 15 anos já era considerado um prodígio nas linguagens de computador.


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No entanto, sua trajetória nos estudos é típica de inovadores do Vale do Silício. No meio dos anos de 1990, depois de um curto período estudando na Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri, e na Universidade de Nova York, seguiu os passos de outros grandes fundadores da big tech americana, como Steve Jobs e Mark Zuckerberg, e escanteou a graduação no último semestre do curso.

A fundação

Dali pra frente, saiu em busca de trabalho, e, de 1999 até 2005, Dorsey migrou de empresa para empresa, trabalhando sempre com a criação de softwares no período de ‘bolha econômica do pontocom’. Em meados de 2005, encontrou Evan Williams, um conhecido empreendedor da internet que havia vendido a Blogger, uma das primeiras plataformas de publicação de blogs, para o Google dois anos antes.

Depois que faturou com a venda, Williams fundou uma startup chamada Odeo, que permitia que usuários criassem e compartilhassem podcasts. Para colocar o serviço na praça, a empresa estava na caça de jovens talentos da programação. Dorsey foi um deles.

Também, buscando uma nova identidade, a Odeo abriu espaço para que os programadores apresentassem ideias. Em uma dessas oportunidades, Dorsey tirou do papel uma ideia antiga, que combinava mensagens de texto, que sempre foram populares nos EUA, com o formato de redes sociais como o MySpace. Em 2006, era criado o Twitter.

O curioso é que o primeiro tuíte, feito no projeto piloto da rede, ainda está lá. Publicado em 21 de março de 2006, na conta @jack, a primeira da rede social. “Just setting up my twttr”, publicou Dorsey no tuíte inaugural  “apenas configurando meu Twitter”, em tradução livre.

Crescimento e polêmicas

Nas eleições americanas de 2008, as que levaram Barack Obama à presidência dos EUA, o microblog serviu como um meio de atualização quase em tempo real dos apoiadores das campanhas tanto do democrata quanto de seu oponente, John McCain.

Em 2010, o Twitter já tinha mais 105 milhões de usuários que postavam 55 milhões de mensagens por dia na plataforma. Com o crescimento explosivo, a empresa sofria com uma infraestrutura que não comportava a audiência do site, e saía do do ar com frequência. A página com a “fail whale”, que avisava que a plataforma estava indisponível, era frequentemente visualizada por quem tentava acessar o serviço.

Nesse período, Jack já tinha sido afastado da rotina da empresa. Evan Williams assumiu a presidência da companhia e anunciou que a empresa entrava em uma nova e desafiadora fase e que havia a necessidade de ter um líder único, focado.

Jack partiu, então, para outros negócios. Em 2009, enquanto o Twitter crescia sozinho, Jack se tornou um investidor da rede social Foursquare, numa época em que as pessoas se importavam pouco em ceder dados pessoais no nível de geolocalização em tempo real. Também criou, junto com outro sócio, Jim McKelvey, a Square, uma empresa de serviços financeiros e de pagamento móvel. Em 2015, a Square fez seu IPO e Jack segue como seu CEO desde então.

Em novembro de 2013, a fortuna de Dorsey se multiplicou consideravelmente com o IPO do Twitter. As ações da empresa começaram a ser negociadas a 26 dólares, e, poucas horas depois, o preço chegou a 45 dólares. Dono de mais de 23 milhões de ações, Jack Dorsey ficou bilionário.

Em 2015, ano que retornou ao cargo de CEO, Dorsey já enfrentou dificuldades e polêmicas na gestão da empresa. Foi a partir deste ano que os republicanos passaram a reclamar que o Twitter ajudava a sufocar as vozes conservadoras nas redes sociais. A mais proeminente dessas vozes foi a do ex-presidente Donald Trump, que incansavelmente usou, ironicamente, a rede social para ameaçar a empresa de regulação e manter aliados e inimigos na linha. O Twitter baniu Trump logo após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio.

Desafios recentes

Mais recentemente, em 2020, o baixo lucro do Twitter e o crescimento lento também trouxe outra dor de cabeça a Dorsey: depois de conseguir um alto percentual de ações do Twitter, o fundo de investimento Elliott Management exigiu a saída do fundador do mais alto cargo da companhia. O argumento principal era o mesmo usado em outras investidas contra Dorsey, a de que ele não se dedicava exclusivamente a companhia.

Em tempos pré-pandemia, Jack passava as manhãs no Twitter e, no período da tarde, atravessava a rua e entrava no prédio da Square. Para se manter no cargo, Dorsey concordou em adicionar dois novos membros ao Conselho de Administração da companhia, que agora passaram a avaliar a estrutura de liderança da empresa, além de outras condições que movimentaram a organização societária da companhia.

O anúncio de sua saída nesta segunda-feira, e a entrada de Parag Agrawal, é mais um estágio deste acordo. Grawal entra em um momento intenso para o Twitter, que busca atingir métricas altas até o final de 2023: os objetivos são o dobro da renda anual e 315 milhões de usuários ativos diários monetizáveis.

Parag, contudo, é uma escolha de Dorsey, e deve dar continuidade ao seu legado, onde o Twitter não almejou o mesmo que o Facebook e outras gigantes que miraram nas receitas da publicidade orientada por dados sensíveis dos usuários. “Eu tenho uma profunda confiança em Parag para assumir o comando do Twitter. Seu trabalho nos últimos 10 anos foi transformador. Sou grato pelo seu talento e sensibilidade. É a sua vez de liderar”.

 

Fonte: Revista Exame

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