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Rondônia, segunda, 29 de novembro de 2021.



Exame

União entre Arezzo e Soma teria desafio de governança


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Alexandre Birman, dono da Arezzo &Co, tem um desejo desde que perdeu a Hering para o Grupo Soma: comprar tudo. E quer ser o controlador de tudo. Essa é uma vontade do empresário que já se espalhou pela Faria Lima e Leblon, os centros financeiros do país em São Paulo e no Rio de Janeiro, e que o site de notícias Pipeline, do Valor, trouxe na tarde de hoje. Mas quem conhece de perto Roberto Jatahy, presidente e sócio fundador da Animale e principal nome articulador da plataforma de marcas que se tornou o Soma, sabe que essa conversa não será assim tão simples.

A começar que falar em aquisição pela Arezzo &Co faz todo mundo no Soma remexer na cadeira, uma vez que a empresa de calçados vale perto de R$ 8 bilhões na bolsa, enquanto a companhia de moda está em quase R$ 12 bilhões — uma diferença de 50%. Em receita, contudo, Arezzo &Co é maior: R$ 954 milhões, no terceiro trimestre, comparado a R$ 566 milhões do grupo comandado por Jatahy, no segundo trimestre (o balanço do terceiro vem só na próxima semana). Na geração de caixa, contudo, os negócios são mais parecidos.


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Mas em uma eventual combinação societária, Birman — que possui 45% da Arezzo — de fato sairia como maior acionista individual da companhia resultante. Daí, a percepção de que ele poderia ser controlador (posição que seria reforçada quanto maior fosse o pagamento em dinheiro de um eventual negócio). O Grupo Soma tem um grupo de sócios reunidos por acordo de acionistas que agrega perto de 37% do capital, mas são diversos nomes e nenhum isoladamente rivalizaria com a exposição de Birman. Mas daí a ele se entender como dono ou acionista de referência, na visão do Soma, tem muita diferença.

Está bastante claro que para Jatahy e seu grupo de sócios uma transação só faria sentido – qualquer que seja, não é o caso apenas de Arezzo – se houvesse um arranjo societário muito claro sobre a governança e os limites dos poderes, além de um bom preço, claro!

As duas companhias têm direcionamentos estratégicos bem definidos — e parecidos em muitos pontos, para quem olha de fora. A Arezzo &Co, desde que adquiriu a Reserva, bate na tecla da expansão e da digitalização. Jatahy, por sua vez, tem um planejamento todo milimetricamente calculado para o Soma após a compra da Hering e uma visão muito única sobre o que falta na cadeia de moda e têxtil para o setor ter grandes companhias no Brasil — e tem tido sucesso na execução.

A Arezzo &Co não confirmou oficialmente, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e mesmo em entrevista à EXAME, nenhuma proposta ao Grupo Soma. Limitou-se a dizer que é ativa em busca de oportunidades de consolidação e que não possui nenhum assessor financeiro contratado, nem fez nenhum lance. Até o momento, Soma não divulgou nenhum posicionamento — mas vai e ainda hoje (dia 3).

Ambas as empresas, além do óbvio discurso de digitalização, têm projetos de internacionalização com geografias e cronologias muito semelhantes. Tanto a Arezzo quanto a Farm (maior marca e mais internacionalizada do portfólio do Soma) já colocaram um pé nos Estados Unidos, estão assistindo seus negócios engordarem e montaram um projeto que mira agora a Europa.

Para especialistas em marcas, o Grupo Soma tem muito mais fit com a Alpargatas, dona das Havaianas, que admitiu pela primeira vez que vai partir para aquisições. Ocorre que o projeto de Roberto Funari, presidente da empresa, é mirar em ativos do setor de calçados, com foco global e potencial para ser “escalável”. O caixa da empresa que já era robusto engordou em mais R$ 400 milhões com a decisão da venda da Osklen, marca de moda têxtil brasileira. Não importa quanto alguns possam ver lógica em uma operação, ela não é aguardada pelo mercado.

Além do planejamento claro de Jatahy para o Soma — e da valorização de sua liderança pelo mercado —, Birman enfrentaria outro claro desafio: Fabio Hering, que se tornou presidente do conselho de administração da plataforma de marcas após a aquisição pelo Soma. É possível dizer sem muitos equívocos que a relação entre eles não ficou das mais simpáticas após a Hering acreditar que seria alvo de uma oferta hostil por parte da Arezzo.

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Fonte: Revista Exame

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