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Rondônia, segunda, 29 de novembro de 2021.



Exame

Operadores ou transformadores


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Por Daniela Grelin*


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O que começou como uma crise sanitária global rapidamente se transformou, com velocidade e variedade comparáveis à própria sequência de mutações do coronavírus, em uma crise humanitária.

Refletindo com nuances regionais e nacionais a própria fragilidade dos diferentes sistemas de proteção social, os últimos 20 meses colocaram debaixo do holofote as lacunas nos serviços de saúde e de acolhimento social, as disparidades de acesso à rede de proteção, as vulnerabilidades e injustiças pré-existentes.


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Como alertou a ONU Mulheres em maio, a crise da Covid-19 tornou-se um grande revelador. A realidade que ela releva nos interpela, nos incomoda e nos desafia.

Eu os convido a dar espaço a este incômodo. Com ele vem uma certa indignação. É preciso ouvi-la, acreditando em seu poder alavancador de transformações.

Não é a toa que as empresas são consideradas as entidades mais confiáveis por 61% dos respondentes da tradicional pesquisa de confiabilidade Trust Barometer.

É uma tendência mundial, que também se verifica no Brasil, esta consolidação da credibilidade das empresas ao mesmo tempo em que a confiança na mídia e nos Governos vai se erodindo.  Afinal, elas dependem da sua capacidade de inovação, dinamismo e agilidade estratégica para prosperar.

Mas a questão que se coloca é: até onde vai o papel da cidadania corporativa na busca de soluções para as demandas sociais?

A consideração desta questão nos leva a outra, igualmente importante: até que ponto a empresa pode se furtar ao desafio de contribuir para a transformação do contexto social sem perder a relevância?

Obviamente não há uma resposta definitiva ou precisa, especialmente no momento em que vivemos, em que as diversas camadas de complexidade se interpõem de maneiras diversas à medida em que o cenário se agrava.

Mas sabemos que não podem se ausentar e estamos apenas explorando até onde podem ir sustentadas pela geração de valor compartilhado. Como estamos no mês de outubro, trago aqui apenas um recorte desta atuação possível.

Segundo pesquisa da Gênero e Número em parceria com o Instituto Avon, em 2020, valor destinado pelo Sistema Único de Saúde (SUS)  para procedimentos como biópsias caiu 26% em relação a 2019; mamografias tiveram redução de 40%.

Ou seja, no ano em que o câncer de mama tornou-se mundialmente o tipo mais comum de câncer, os procedimentos que viabilizam o diagnóstico da doença desabaram em todo o Brasil.

A maior redução verificou-se no estado da Bahia, em que os exames de diagnóstico de câncer de mama (incluindo biópsias e mamografias) caíram em 38%.

Neste cenário as empresas têm se desdobrado em ações de comunicação, incentivo à retomada dos exames, inclusive com suspensão de coparticipação, facilitando o agendamento dos mesmos por meio de parcerias diversas.

Todas estas iniciativas são urgentes e necessárias e devem ser ampliadas para outras esferas do acesso das mulheres a seus direitos.

Se a experiência dos últimos meses pode deixar aprendizados transformadores, um deles é sobre a importância de cuidarmos das pessoas que tornam os resultados dos negócios possíveis. Mas, isto é quase um atributo qualificador apenas, que nos habilita a sermos ‘operadores’ em nossa área de atuação.

Como ficou abundantemente claro em nossa experiência pandêmica, a criação de redes de proteção acessíveis a todos não se faz improvisadamente e sem uma sensibilidade específica para grupos vulnerabilizados, entre os quais destaco as mulheres.

Nem que seja por uma questão de interesse corporativo esclarecido, investir nas mulheres faz sentido. É, cada vez mais, uma responsabilidade incontornável para marcas, reputações, culturas corporativas em sua contribuição para uma sociedade próspera e instável.

Alcançar este patamar de protagonismo social equivaleria a transcender a indústria e o mercado e atuar verdadeiramente como ‘transformadores’.

*Daniela Grelin é diretora executiva do Instituto Avon

 

 

 

Fonte: Revista Exame

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