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Rondônia, segunda, 29 de novembro de 2021.



G1

Corpo de brasileira que morreu no deserto dos EUA vai ser enviado ao Brasil no dia que ela faria aniversário de 50 anos


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Lenilda dos Santos tentava atravessar a fronteira do México para chegar aos Estados Unidos e foi encontrada morta após ser abandonada por coiotes e amigos. Familiares se preparam para a despedida oficial em Rondônia. Lenilda dos Santos, imigrante rondoniense que morreu no deserto.
Redes Sociais/Reprodução
O corpo de Lenilda dos Santos deve ser enviado dos Estados Unidos ao Brasil na próxima quarta-feira (20), dia em que ela completaria 50 anos. A técnica de enfermagem rondoniense foi encontrada morta no deserto há mais de um mês. Ela foi abandonada por coiotes e amigos, com quem tentava atravessar a fronteira do México para entrar nos EUA.
Em entrevista ao g1, a filha de Lenilda, Genifer Oliveira, contou que o esperado para esta data era comemorar com a mãe e a irmã, por videochamada, mais um ano de vida e o fato dela ter conseguido chegar aos EUA.
“É muito complicado saber que, no dia do aniversário dela, ela vai sair assim da cidade que ela tanto queria estar”, diz.
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‘Não chora… a vovó Lenilda tá no céu’
Lenilda dos Santos deixou duas filhas adultas, uma delas é Genifer Oliveira, que tem um filho de cinco anos e está grávida de seis meses. Segundo a jovem, os filhos são o que dão força para suportar esse momento de perda.
“Eu não tinha força para falar e meu filho de 5 anos chegou em mim e disse: ‘não chora não, porque a vovó Lenilda tá no céu e agora ela têm muitos poderes lá de cima. Ela vai cuidar da gente’. Parece que veio aquela paz no coração quando ele chegou e me falou aquilo”, conta Genifer.
Genifer Oliveira e o filho de cinco anos
Redes Sociais/Reprodução
Velório e sepultamento
O translado com o corpo de Lenilda deve partir na quarta-feira de Ohio, nos Estados Unidos, até o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Mas previsão é que o caixão chegue em Rondônia somente na sexta-feira (22), através do transporte oferecido pela companhia aérea Latam.
Segundo familiares, o corpo de Lenilda será velado na quadra de esportes municipal em Vale do Paraíso (RO) e o sepultado será no dia seguinte, em Ouro Preto do Oeste (RO), ao lado do pai dela.
“É uma sensação de dever cumprido, pelo menos ter tido o privilégio de enterrar ela, pelo menos não ficou como muitos ficam: perdidos no deserto. Alguns não conseguem nem trazer o corpo”, comenta o irmão, Leci Oliveira.
Uma cerimônia de despedida foi realizada nesta semana para os familiares de Lenilda que moram nos EUA. Genifer, grávida de seis meses, diz estar se preparando para o momento de despedida.
“Eu estou muito ansiosa. É um sentimento que eu acho que só na hora vai cair a ficha, porque até agora tô meio anestesiada. Eu não consigo pensar como vai ser minha reação no dia, para ser bem sincera”, conta.
Os procedimentos para descobrir a causa da morte ainda não foram concluídos, mas para que o velório fosse possível, os órgãos responsáveis assinaram o atestado de óbito como “inconclusivo”. Assim que o resultado oficial sair, a família deve ser avisada.
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Entenda o caso
Lenilda saiu de Vale do Paraíso em agosto com o objetivo de atravessar a fronteira entre México e EUA, através do deserto, com ajuda de um coiote (pessoa paga para atravessar imigrantes ilegalmente pelas fronteiras). Ela estava acompanhada de dois amigos que moravam na mesma cidade e a conheciam desde a infância.
Os três viajantes passaram 33 dias na mesma casa esperando o melhor momento para atravessar o deserto. A caminhada iniciou em um domingo e já no dia seguinte Lenilda estava muito desidratada e passando mal.
Em áudios enviados à família, Lenilda conta que os amigos decidiram seguir caminho sem ela, mas voltariam para buscá-la. Ela só precisava seguir andando mais um pouco até o local combinado e aguardar por ajuda.
Áudio enviado para familiares antes de imigrante brasileira morrer no deserto dos EUA
Lenilda foi encontrada morta nove dias depois. A família acredita que ela morreu de sede após ser abandonada. O objetivo dela em ir para os EUA era trabalhar para pagar a faculdade das duas filhas e garantir uma melhor qualidade de vida para os familiares.
“Eles abandonaram ela na segunda. Ela ainda caminhou a terça todinha, chegou no lugar que tinha que chegar e ninguém veio buscar”, lamentou a filha.
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Fonte: G1 Rondônia

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