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Rondônia, terça, 18 de maio de 2021.



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Marcas investem em produtos ‘anti-covid’ para combater a pandemia


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Em meio a um cenário de persistência da pandemia em várias partes do mundo – e, em particular, no Brasil –, uma porção de indústrias vêm tratando a possibilidade de eliminar o vírus como uma oportunidade de negócios.

Em comum às iniciativas estão promessas de reduzir a praticamente zero as chances de contágio pelo vírus causador da covid-19. Algumas dessas iniciativas seguem no plano das pesquisas científicas, mas já há produtos à venda para o consumidor final. 

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Ainda em fase de testes está uma tecnologia que pretende filtrar o sangue de pessoas contaminadas para, dessa maneira, tirar de lá o Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19. Quem está por trás da iniciativa é o Defense Advanced Research Projects Agency (Darpa), como é chamada a divisão de pesquisas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com autorização das agências regulatórias para o uso emergencial em hospitais militares para tratar cerca de 300 pacientes.

Chamado de Seraph 100 Microbind, e desenvolvido em parceria com a empresa americana ExThera Medical, o filtro segue a lógica de uma máquina de hemodiálise, responsável por retirar toxinas como a creatinina e a ureia em pacientes com insuficiência renal. 

A tecnologia deve seguir em estudos clínicos até outubro deste ano. Os resultados, até agora, têm sido promissores. Segundo o programa 60 Minutes, da emissora CBS, o experimento foi capaz de acabar com a infecção do vírus após um a quatro dias de uso. 

Pela tecnologia, o sangue do paciente passa por um dispositivo externo, onde é filtrado, e depois retorna ao corpo. De acordo com a companhia, é possível que o filtro também seja eficaz contra outras patologias, o que pode colaborar com o tratamento de novas doenças no futuro enquanto não houver vacinas e evitar o surgimento de outras pandemias. 

Diferentemente dos equipamentos de hemoperfusão – utilizados para “limpar o sangue” – atuais, que removem apenas as moléculas, a novidade promete reduzir a concentração de bactérias, vírus e fungos porque tem minúsculos grânulos que imitam pontos de ligação com os quais os patógenos causadores se ligariam normalmente – células sanguíneas e proteínas ficam intactas.

“Em doenças respiratórias causadas por vírus, o início da viremia (presença vírus na corrente sanguínea) geralmente anuncia uma doença grave. Portando, a redução dos níveis virais de Covid-19 pode permitir que o sistema imunológico do próprio corpo combata o patógeno mortal”, afirma Lakhmir S. Chawla, médico nefrologista presidente do Conselho Consultivo Científico da ExThera.

Em paralelo aos estudos de tecnologias para retirar o vírus do sangue, startups e empresas tradicionais investem em produtos para eliminar a presença do Sars-CoV-2 do ar ao noso redor. 

Um dessas tecnologias é uma espécie de luminária anti-covid que usa luz ultravioleta do tipo C, uma versão filtrada da luz ultravioleta convencional vinda de raios solares que aparentemente não causa danos à pele mesmo com horas de exposição e, de quebra, ainda é capaz de eliminar fungos, bactérias e também vírus em um ambiente.

Chamado de UOVO, o aparelho com design inspirado no formato de um ovo, foi criado pela startup curitibana UOVO Labs, uma spin-off da Quantum Eletrônica, empresa fundada há 45 anos para inovações em sistemas de energia.

A luz ultravioleta destrói a camada protetora e material genético de agentes causadores de doenças, inativando a ação do microrganismo, garantem os fundadores da startup, os empreendedores Marcio Pacheco, Felipe Guerra e Rafael Soares.

Objetos expostos à luz ultravioleta têm 99,99% dos vírus, bactérias, fungos, ácaros e germes de forma geral a que foram expostos inativados. “O UOVO é um facilitador da rotina de higiene. Em apenas dois minutos itens como carteiras, brinquedos, óculos, produtos que acabaram de chegar do mercado, entre outros, são descontaminados, garantindo a segurança da família e a redução da contaminação microorganismos no lar, com um eletroportátil de fácil manuseio e que ocupa pouco espaço em casa”, diz Guerra.

UOVO em ação: a venda do eletrodoméstico começou em abril, numa loja virtual da empresa, que espera comercializar 10 mil unidades e faturar 10 milhões de reais em 2021Divulgação/Divulgação

A venda do eletrodoméstico começou em abril, num site da própria UOVO. Este ano, a previsão inicial é comercializar 10 mil unidades e em um mercado com pelo menos 10 milhões de residências com potencial para adquirir o produto, esperam os empreendedores. 

“O UOVO tem um potencial enorme e o objetivo é torná-lo um produto que é parte da casa, como qualquer outro eletrodoméstico, que entrega qualidade de vida para as pessoas” diz Soares. “Pretendemos faturar 10 milhões de reais com o produto este ano”, diz Soares. 

A corrida por produtos para eliminar o vírus atraiu empresas de outros setores – e em alguns casos as inovações já trouxeram resultados bem palpáveis no faturamento desses negócios. É o caso da Anjo, uma fabricante de tintas fundada em Criciúma, no sul de Santa Catarina, há 35 anos. 

Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, a Anjo lançou recentemente um verniz chamado Nanoblock que usa nanotecnologia para eliminar bactérias e vírus, incluindo o novo coronavírus. A promessa do produto é de ser eficiente numa porção de superfícies – seja em paredes de imóveis ou em sacolas de supermercado. 

“Hoje as pessoas falam de se proteger, usar máscara, passar álcool em gel, manter distância e não tocar umas nas outras”, diz Filipe Colombo, presidente da Anjo Tintas. “Nosso foco aqui é criar produtos capazes de reforçar essa proteção.”

A função das partículas inseridas nesse verniz anticovid é impedir que vírus e bactérias fixem sobre a superfício – e se multipliquem por lá. É uma maneira de impedir a chamada contaminação cruzada, que ocorre quando uma pessoa infectada espalha o vírus ao tocar em embalagens também manuseadas por pessoas sadias na sequência. “Não importa quantas pessoas tocaram no produto, pois ele permanecerá protegido de inúmeros riscos à saúde que são invisíveis aos olhos”, diz Colombo.

O lançamento é uma evolução de outros produtos da empresa contra a presença de microorganismos. Em 2013, a Anjo Tintas lançou a tinta Protect Pack, desenvolvida com a promessa de proteger embalagens de qualquer tipo de bactéria, evitando que micróbios e germes entrem em contato com os produtos dentro da embalagem e com os consumidores. Agora, com a Nanoblock, a empresa foi atrás de certificações internacionais para mostrar a eficácia do produto. “Há 99,99% de redução de partículas virais na superfície aplicada”, diz Colombo.

O produto deve colaborar com um bom momento da Anjo. Neste ano, a fabricante de tintas espera faturar 700 milhões de reais – 16% acima do resultado de 2020. A tecnologia do Nanoblock deve colaborar com 2% das vendas, diz Colombo. É um resultado nada mau para um lançamento, considerando o portfólio vasto da empresa – são mais de 2.000 itens.

Linha Dux Defender: promessa de ação tripla com eliminação vírus, hidratação da pele e mais segurança em relação ao uso de álcool gelDivulgação/Divulgação

Na fabricante de cosméticos Dux Grupo, de Itupeva, no interior paulista, o lançamento de produtos anti-covid em dezembro de 2020 permitiu quase dobrar o faturamento e a aumentar o quadro de funcionários em 50%. 

A empresa investiu numa linha  de cremes e sprays chamada Dux Defender. A promessa é de uma função tripla: hidratação da pele, proteção contra vírus (incluindo a Covid-19 e H1N1, causador da gripe), bactérias e germes, além de ser mais seguro que um álcool gel tradicional por não ser inflamável.

Os cremes e sprays agem na pele por até quatro horas, garante Marcelo Spaziani, presidente e um dos fundadores da Dux Grupo, em 2010. 

“A expectativa da empresa é de vender 100.000 unidades de produtos da linha Dux Defender nos canais digitais, no seu próprio e-commerce e nos marketplaces”, diz Spaziani. Aqui e ali a indústria vem se mexendo no combate à pandemia em várias frentes. A torcida é para quem os esforços tragam resultados rápidos.

– Com reportagem de Leo Branco

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Fonte: Revista Exame

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