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Rondônia, quinta, 15 de abril de 2021.



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Por que 2021 não é 1964: Bolsonaro, golpe e eleições


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De modo inédito depois de 1988, as Forças Armadas voltaram a participar ativamente da política eleitoral em 2018 ao apoiarem Jair Bolsonaro. Segundo o projeto Varieties of Democracy (VDEM), que mede centenas de aspectos sobre regimes políticos e qualidade da democracia, o PSLdo então candidato é um dos cinco partidos mais antidemocráticos do mundo. Deve essa proeza ao ex-capitão e sua retórica na campanha. O artigo “Walking the Talk: How to Identify Anti-Pluralist Parties”, de Anna Lührmann, Juraj Medzihorsky e Staffan Lindberg, traz a análise completa.

O projeto VDEM também mostra que o envolvimento militar na política atingiu seu pico, na América do Sul, no fim dos anos setenta, declinando desde então com uma leve subida a partir de 2012. (A variável selecionada no banco de dados para acessar esta informação é “Military Dimension Index”).

Setores relevantes das Forças Armadas ignoraram o componente antidemocrático da candidatura de Bolsonaro – e a tendência de as corporações se distanciarem da política partidária – em 2018. Pagam agora o preço. Além de serem fiadores do fracasso do combate à pandemia, estão às voltas com o que parece ter sido uma esquisitíssima tentativa de Bolsonaro criar condições para um autogolpe. Ansioso para ser chamado de “comandante-chefe”, honra constitucional que generais dificilmente expressariam a um capitão, o presidente fez uma atrapalhada mudança no ministério e nos comandantes da Aeronáutica, Exército e Marinha.

Por ora, o resultado não é dos piores. A chance de um golpe bolsonarista dar certo sem apoio de maioria parlamentar e empresarial tende a zero. O presidente ficou parecendo mais janista do que castellista. Está claro que, por enquanto, a maioria dos militares prefere democracia a uma ditadura sob Bolsonaro. A questão relevante para 2022 é: continuarão preferindo democracia se Lula (PT) disputar e vencer?

Não será ano que vem que as Forças Armadas irão reparar o erro de voltarem à política em 2018.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

Fonte: Revista Exame