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Se é IPO tech, é bom: investidor troca fundamentos por risco de startups


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A terça-feira, 9 de fevereiro, foi um dia emblemático para refletir a quantas anda a percepção de valor dos investidores no Brasil. Duas companhias fecharam o preço para suas ofertas públicas iniciais (IPOs): a Cruzeiro do Sul, de ensino superior, e a Westwing, um badalado e-commerce de móveis e decorações com altos índices de engajamento em redes sociais. Além disso, a Locaweb — sim, ela! — fechou o preço de sua primeira captação pós-IPO. Ufa! Que dia!

Resultado? A ação da Cruzeiro do Sul saiu a R$ 14, consideravelmente abaixo do intervalo sugerido para o papel entre R$ 16,40 e R$ 19,60. Foram vendidas as ações da oferta base e mais o greenshoe, num total de R$ 1,23 bilhão — quase 90% para o caixa da empresa. A companhia mesmo foi avaliada em R$ 5,3 bilhões.


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Na Westwing, um fenômeno mais recente do público, o preço da ação ficou em R$ 13, próximo ao teto da faixa sugerida (de R$ 10,50 a R$ 13,66) e o mercado raspou o que tinha: oferta base, mais lote adicional (hot issue) e ainda o greenshoe. A operação alcançou R$ 1,16 bilhão, e pouco mais de 35% foram para o caixa. A companhia estreia avaliada em R$ 1,55 bilhão.

E, na Locaweb, a notícia é a seguinte: um ano após o IPO, a empresa que estreou precificada a R$ 2,6 bilhões foi avaliada em R$ 15 bilhões. Não sextou, sextuplicou. A oferta finalizada nesta terça-feira, sozinha, somou R$ 2,75 bilhões. Para explicar com números, basta lembrar que quando a oferta foi anunciada a ação valia R$ 25,56 e saiu hoje na oferta a R$ 30 — 17% mais, em sete pregões com pressão vendedora (da oferta).

O mercado está quase binário. Quando é tecnologia, o negócio voa. Quando a operação é dependente da vida física, os investidores recusam ou pedem desconto elevado. São críticos e avaliam o histórico da execução e os fundamentos. Mas ignorar o mundo físico seria como recusar o desempenho da Havaianas, da Alpargatas, um ícone do país. A companhia vendeu mais só por canais físicos na pandemia e está só no início de sua trajetória digital — e ainda assim próxima de sua máxima histórica na B3. “O mercado está cego, surdo e louco”, disse um especialista. Outros seguem na pegada da revolução: “só o comeco”.

Os investidores estão pouco preocupados com os fundamentos. Não há como negar. O motivo? A pandemia, claro! Tudo que é digital parece essencial. Exceto no caso de Locaweb, que já ganhou tamanho de gente grande (quase uma Totvs, avaliada em R$ 17 bilhões), a questão é que o risco para os fundos de investimento é quase assimétrico, no caso das novatas digitais brasileiras. Se os gestores perderem o total reservado no IPO, se virar pó, o efeito no desempenho da carteira é quase neutro. Se a aposta tiver o valor multiplicado, pode surtir um efeito positivo sobre o todo.

Mas vale dizer que o pequeno investidor — esse, sim, exposto a prejuízos importantes — também está muito demandante de companhias de tecnologia. A pessoa física está se sentindo apartada da festa. Como se houvesse a bolsa e um cantinho VIP, onde só os selecionados podem participar. Esse é o mercado de retornos multiplicativos das startups. Quando aparece uma pronta para o pregão, todos querem. A demanda de varejo — só do varejo — da Mosaico foi de R$ 10 bilhões.

Não espanta, portanto, que a operação de Westwing tenha registrado uma demanda equivalente a 10 vezes o livro de ofertas. O que desperta atenção para a empresa é sua vida “social”. A companhia se propõe a vender mais do que produtos, mas sim curadoria de estilo para casa. A Tork Capital, de Marcelo Magalhães, acabou se destacando entre os compradores. A receita nos primeiros nove meses de 2020 praticamente dobrou, para R$ 170 milhões, e a margem Ebitda ficou pouco acima de 6%, ou R$ 10,4 milhões.

Embora venda seus produtos por aplicativo e pelo site, a plataforma principal de engajamento da companhia é o Instagram, na qual alcançou a marca de 1 milhão de seguidores em setembro. Aqui é que os dados mais têm animado os investidores.

Cada cliente visita a plataforma da empresa, em média, 4 vezes por semana — uma recorrência que tem muita gigante nacional ainda correndo atrás — e gasta aproximadamente 40 minutos por semana nesse tour pelas experiências digitais. Cerca de 84% das compras são realizadas por clientes recorrentes e 70% são originadas no mobile.

Como? A mistura de curadoria e campanhas. Essa é a resposta curta. A Westwing promove 144 inserções de conteúdo por semana em sua rede, relacionadas a uma média de 58 campanhas, que costumam durar de quatro a cinco dias. Esse esforço envolve aproximadamente 13 mil produtos por semana, dos quais cerca de 50% são completamente novos.

Essas são as novas métricas do mercado. Bem-vindo! E você, quantos likes hoje?

Fonte: Revista Exame

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