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Colégio desenvolve plataforma online para retomar horário normal das aulas


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A partir desta semana, os alunos do tradicional colégio Dante Alighieri, em São Paulo, passam a frequentar as aulas normalmente, sem sair de casa. A retomada da rotina será feita de maneira virtual, por meio de uma plataforma de ensino a distância desenvolvida pela instituição. “A ideia é replicar ao máximo a experiência de sala de aula no ambiente digital”, afirma Valdenice Minatel, diretora-geral educacional do Dante.

O corpo diretivo e de professores trabalha no desenvolvimento dessa plataforma desde início da crise do novo coronavírus. Segundo Valdenice, num primeiro momento, o colégio disponibilizou atividades e encontros online com os professores. Mas, o desafio proposto era reestabelecer a relação entre aluno e professor em tempos de quarentena, sem a possibilidade do contato presencial. “Nada substitui o professor”, afirma a diretora. “Essa dinâmica de sala de aula é fundamental para o ensino”.


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A plataforma de ensino a distância do Dante permite que o professor tenha o controle da sala de aula. Ele pode abrir o microfone para os alunos individualmente e é avisado quando algum estudante troca de tela durante uma explicação — nesse caso, a orientação é para que o professor questione o aluno se ele está com alguma dúvida ou dificuldade. Os estudantes, por sua vez, podem interagir como se estivesse na escola, levantando a mão para tirar dúvidas, por exemplo.


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As aulas serão gravadas e poderão se acessadas posteriormente, caso o aluno não possa comparecer na “live”. “Tivemos uma grande preocupação com a segurança do sistema”, afirma Valdenice, que é ex-diretora de tecnologia da instituição. O recurso de gravação das aulas também foi pensado para estudantes que não possuem equipamento ou uma conexão adequada. Embora o Dante seja um colégio particular, com mensalidades que podem chegar a 4 mil reais, entre os mais novos, é comum o compartilhamento de computadores com outras pessoas da família, por exemplo.

“A rotina das famílias foi muito impactada. A volta do horário normal de aulas é uma forma de retomar algum grau de normalidade, o que deve ajudar os pais nesse momento”, afirma Valdenice. “Mas temos realidades distintas, tanto em relação às famílias, quanto ao corpo docente”.


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Nas duas últimas semanas, os cerca de 400 professores da instituição se concentraram em adaptar as aulas para o novo ambiente. “Foi preciso refazer todo o planejamento”, diz Valdenice. A individualidade dos profissionais e dos alunos era um ponto de atenção. “Alguns professores se sentem naturalmente confortáveis diante de uma câmera, outros são mais tímidos. É uma dificuldade adicional que teve de ser enfrentada na adaptação do conteúdo”, afirma. “O mesmo acontece com os alunos, por isso procuramos uma plataforma que trouxesse recursos adicionais de interatividade. Não basta fazer o streaming das aulas”.

Plataforma de ensino a distância do Dante busca replicar a interação entre aluno e professorDante Aliguieri/Divulgação

O colégio optou por usar uma tecnologia de videoconferência desenvolvida pela Cisco, empresa americana de telecomunicações. As aulas virtuais foram desenvolvidas a partir da plataforma Moodle, software de código aberto voltado para a área educacional. O Dante já havia utilizado o sistema em 2009, durante o surto de gripe suína, que também provocou a suspensão das aulas. Mas, na época, a paralização foi menor.

Atualmente, o colégio possui 4.600 alunos de educação básica (dos 3 aos 17 anos). A volta às aulas virtual valerá a partir do Fundamental 2, cuja idade inicial é de 9 anos. Para os mais novos, a instituição oferece conteúdo online, porém, esse público ainda demanda acompanhamento dos pais. A mensalidade do Dante varia de 2.300 reais, para o maternal, a 4 mil reais, para o ensino médio.

O objetivo do colégio é fazer com que as aulas virtuais contem como aulas normais para o ano letivo, o que reduziria a necessidade de reposição quando a quarentena acabar. Essa possibilidade, no entanto, depende de uma análise do Ministério da Educação. Segundo Valdenice, em 2009, o ministério permitiu essa substituição. “Esperamos que aconteça o mesmo”, afirma. Apesar da expectativa, a diretora ressalta que o Dante não tem nenhuma intenção de substituir as aulas presenciais por virtuais, no futuro, nem encoraja o ensino domiciliar. “Nossa filosofia é de valorizar o professor e a experiência de sala de aula”, diz Valdenice.

Fonte: Revista Exame

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