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Para calar a violência, atenção social


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Apesar de ser um dos destinos turísticos mais procurados no Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2018, Angra dos Reis registrou um aumento de 42% a taxa de homicídios – se posicionando entre as cidades com maiores índices do país. Em 2019, a onda de violência não se conteve e moradores vivenciaram momentos de terror.

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Recentemente, três pessoas foram baleadas após um intenso tiroteio em uma comunidade. Três pessoas que estavam em suas obrigações diárias e nada tinham a ver com o confronto entre traficantes e policiais. Virou rotina para os moradores ver a Rodovia Rio-Santos com fluxo interrompidos para evitar feridos durante o confronto entre criminosos e a polícia. Angra figura como uma das cidades com a maior taxa de homicídios do país, e é só mais um cidade brasileira que a violência cresce e assusta.

Há poucos quilômetros de Angra dos Reis, cerca de uma hora, na Ilha Grande, está a Praia da Longa. Por mais de 30 anos, dirijo um projeto social no local, o Canoário. Tenho lutado há décadas para conseguir o básico de dignidade para a comunidade. A sociedade precisa saber que existe um mundo de oportunidades fora do determinismo social. As ações do projeto mostram que existem possibilidades e caminhos longe da drogadição. Esse é o papel dos projetos sociais! Mostrar uma nova perspectiva de mundo.

O Projeto Canoário Brasil atende crianças e famílias que vivem em uma comunidade pesqueira. Atualmente são oferecidas oficinas de atividades gratuitas em que a população pode participar. Enquanto presenciamos abandono do estado e a falta de segurança, acredito que a educação é o caminho para mudança, seguirei acreditanto. É um escudo contra a realidade cruel que cerca a região.

Entre as interações estão concursos culturais de redação, desenho e narração, além de aulas sobre economia doméstica. Os pais de família recebem também instruções de primeiros socorros, conhecimento sobre as ervas medicinais que são plantadas na ilha e aula de culinária regional. As crianças são beneficiadas com materiais escolares, passeios de pesquisa e apresentações de teatro que foram executadas na praia mesmo. Eu vi vidas mudarem, caminhos se endireitarem. Muitas vezes um projeto, um curso, ou até mesmo uma pequena iniciativa, pode mudar o rumo de histórias!

Na situação de violência que vemos o país hoje, uma das partes que mais me doem é ver crianças nesse cenário. É lamentável ver a infância ser interrompida pelo crime. A iniciação na ilegalidade bate logo cedo na porta de famílias que vivem em regiões desassistidas e dominadas pela violência. Justamente essas áreas carentes de atencionamento do Estado podem ser consideradas ambientes propícios para instalação de projetos sociais que prezam pela dignidade humana. Não é uma forma de assumir a negligente conta estatal, mas de combater o niilismo e lutar por um futuro melhor para comunidade.

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