RETICÊNCIA POLÍTICAS  –  Por Itamar Ferreira *

A Marcha das Margaridas é um evento que reúne periodicamente milhares e milhares de mulheres em Brasília, que tem como data referencial o dia 12 de agosto, e foi realizado pela primeira vez em 2000. Ao todo, já teve cinco marchas, em 2003, 2007, 2011e 2015, esta última reuniu o impressionante número de 100 mil mulheres marchando na Capital Federal.

A próxima Marcha será em agosto de 2019 e a mobilização das mulheres de todo Brasil para participarem deste movimento já começou. Em Porto Velho foi realizado nesta quarta-feira (18) o lançamento do movimento de organização da Marcha das Margaridas 2019.

Margarida é uma flor delicada e ao mesmo tempo resistente, que floresce nos mais diversos tipos de solo. Margarida Maria Alves foi uma mulher que nasceu em Alagoa Grande-PB em 5 de agosto de 1933, sindicalista, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais, e que foi assassinada no dia 12 de agosto de 1983, a mando de senhores de engenho, por causa de sua luta por direitos como carteira assinada, 13º salário, jornada de trabalho de oito horas e férias. Uma de suas frases favoritas era “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

Na atualidade, as terras dos senhores de engenho que a assassinaram viraram assentamentos da reforma agrária. Mas sua história de vida, luta e morte inspirou ainda o maior movimento do feminismo na América Latina, a “Marcha das Margaridas”, uma homenagem ao seu nome, que começou com as mulheres do campo e da floresta e hoje abrange praticamente a totalidade da luta das mulheres brasileiras por mais direitos e igualdade.

O que elas querem não seria muito se nossa sociedade não fosse tão machista e desigual, essas mulheres querem apenas coisas como o direito ao próprio corpo, nos âmbitos produtivo e reprodutivo; uma democracia orientada pelos valores de autonomia e igualdade; o fim do modelo de acumulação e desenvolvimento que restringe a participação e a autonomia da mulher.

Nos documentos com a pauta da Marcha das Margaridas de 2015 consta questões como: “Nós, mulheres, vivemos numa sociedade machista que se apropria do nosso trabalho e nosso corpo e nega nossa autonomia”.

Também, “A autonomia econômica significa para as mulheres do campo, da floresta e das águas ter independência financeira, isto é: capacidade de sustentar a si mesmas e as pessoas que delas dependem; ter acesso a políticas públicas e aos recursos necessários para produzir; ter controle sobre o seu tempo, e, também, ter o controle sobre o próprio corpo e sua vida. Em outras palavras, ter liberdade de decisão, serem donas dos seus destinos e das suas vidas. Com este entendimento, para compreender o significado de autonomia econômica, é fundamental reconhecer o trabalho das mulheres e questionar a divisão sexual do trabalho”

Elas não exigem nada de mais, apenas uma sociedade mais justa, democrática e com igualdade de direitos. Uma dimensão desta desigualdade está na política, pois apesar das mulheres serem aproximadamente 51% da população elas ocupam apenas 10% dos cargos eletivos; talvez isto nos dê uma noção do tanto que temos ainda que avançar.

* Itamar Ferreira é bancário, sindicalista, formado em administração de empresas e pós graduado em metodologia do ensino, pela UNIR, advogado e militante feminista.