ASSOMBRAÇÃO DE OSSOS
27/11/2015|  Autor : Samuel Castiel JR.|   Fonte : Samuel Castiel JR.

 Samuel Castiel Jr.


"A mente humana é a única criadora de seus próprios fantasmas" -  Samuel Castiel Jr. 

 
 
 
 
Ele estavano interior a serviço, num vilarejo que ficava a margem de um rio caudaloso emuito largo. Com poucos habitantes, o silêncio era sepulcral durante todo odia, quebrado apenas pelo chamado triste e distante da inambu. Não havia maisque dois ou três carros em toda a cidade, que trafegavam esporadicamente poraquelas paragens a beira do rio. A quietude era total a qualquer hora do dia e,a noite, ficava ainda maior! Desde que chegara aquele vilarejo para realizarserviços de topografia onde seria construído um cemitério municipal, sua únicadistração e lazer resumia-se em pescar nas horas de folga, postado sobre um pierque entrava rio a dentro. Naquele dia estava ali desde as 17:00 horas e já seaproximava das 18:00 horas quando avistou ao longe uma canoa com um remadorapenas, e que descia rio abaixo, vindo em sua direção. Ficou esperando oviajante solitário mas a canoa virou e encostou na margem do rio bem antes depassar por ele e seu único ocupante desceu. Como já estava escurecendo, nolusco-fusco, não dava pra distinguir quase nada, apenas que era um homemgrande, só de calção. A linha da pescaria continuava bamba, nenhum peixemordia! Foi então que ouviu um barulho muito alto, como se fosse um fasfalharde folhas, vindo em direção ao pier. Amarrou sua linha de pesca na madeira dopier e foi até a rua para ver que barulho era esse! Viu então uma figura monstruosa,da altura de um dinossauro rex, o qual, quando o viu, transformou-se em umamontanha de ossos que começaram a cair em cascata, ao mesmo tempo que avançavamna rua em sua direção. Espavorido, juntou as poucas forças que ainda lherestavam e saiu em desabalada carreira, rumo aquela pousada  onde sehospedara. Ao chegar, já com o coração a sair-lhe pela boca, a dona da pousadaao vê-lo tão assustado, suado, pálido e com os cabelos em pé, perguntou-lhe:
 
--O quehouve com você? Parece que viu alma d’outro mundo? Tome um bom banho e depoisde se refrescar tem uma sopa quentinha pra você em cima do fogão.
 
Ele seguiuo conselho daquela senhora. Tomou um banho e se refrescou! Achou que estavatrabalhando muito ultimamente e começando a ver coisas estranhas...Foi entãoque se lembrou da linha de pesca, amarrada lá no pier. Correu para lá e, comuma lanterna, viu que sua linha estava tensa. Provavelmente um peixe mordera aisca! Mas ao pegar na linha achou estranho, pois ela não puxava nem balançavacomo se prendesse um peixe. Poderia estar apenas presa em algum galho submerso!Mas logo descartou essa possibilidade pois, ao puxar a linha, apesar de estarpesada, não oferecia resistência!...Puxou, puxou até que apareceu preso aoanzol um fêmur! O susto foi tamanho que quase o derrubou no rio! Largou pratraz a linha, o anzol e o fêmur e saiu em desabalada carreira voltando para apousada. Dessa vez, porém, antes de chegar teve o cuidado de se recompor erespirar melhor para, de novo, não chamar atenção da curiosa dona da pousada.Já estava deitado quando se lembrou da sopa quentinha que o esperava em cima dofogão! Vestiu um roupão de banho surrado que encontrou pendurado atras da portado banheiro, e que mal chegava até seus joelhos, e foi para a cozinha. Aquelasenhora realmente não estava blefando: lá estava a panela de sopa quentinha,cheirando e ainda fumegante sobre o fogão. Pegou um prato fundo e a concha aolado e levantou a tampa da panela. A fumaça teve que se dissipar um pouco paraque ele pudesse ver apenas ossos, muitos ossos que foram se multiplicando, estalando ecaindo pra fora da panela, em sua direção.
 
                 Quando ele deu conta de siestava na rodoviária tentando se justificar com o motorista do ônibus porquetinha que embarcar e viajar vestido naquele ridículo roupão de banho!...

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