A novela do transporte coletivo da Capital: os vereadores devem ficar inertes ou fiscalizar com rigor a mudança?...
15/09/2015|  Autor : Itamar Ferreira|   Fonte : Itamar Ferreira

A novela do transporte coletivo da Capital: os vereadores devem ficar inertes ou fiscalizar com rigor a mudança?...

COLUNA RETICÊNCIAS POLÍTICAS...  -  Por Itamar Ferreira

... o prestigiado jornal Rondoniagora registrou a indignação da população com o que é considerada uma “ameaça de vereadores em atrapalhar contratação de nova empresa de ônibus”. Inicialmente há que se registrar duas coisas: uma, que a população tem toda razão de estar indignada com o indigente transporte coletivo de Porto Velho e a outra, o jornal apenas registrou uma situação fartamente documentada...

... dito isto, voltemos à indagação inicial, qual seja: essa mudança, da forma que está sendo feita, vai melhorar o nosso transporte coletivo ou vai transformar em caos o que já é muito ruim? Pois bem, uma análise objetiva do processo mostra inúmeros erros e improvisações que podem comprometer as chances de êxito da mudança em curso...

... começando pela modalidade escolhida, que foi uma licitação emergencial por 6 meses, com uma única empresa de ônibus. Há algo de muito estranho nesse processo, pois esta empresa vai investir milhões e milhões em garagem, oficinas de manutenção e outras logísticas, além da contratação de mais de 1.200 funcionários para ficar apenas seis meses? Ora, nem um botequim consegue remunerar o investimento em tempo tão pequeno...

... depois, quando da licitação definitiva, o sistema deverá ser dividido, no mínimo, em três partes, já que o grande o objetivo do alcaide portovelhense, prometido em prosas e versos, seria acabar “com o monopólio de duas empresas”. E como ficará a tal Ocimar Transporte? Terá investido milhões e só poderá concorrer, isso mesmo, concorrer, pois não terá preferência em nada, a apenas um terço de todo sistema? Que mágica é essa? Onde está o “pulo do gato” que só a Ocimar e a prefeitura conseguem ver?...

... prova cabal da inviabilidade desta modalidade de licitação emergencial por seis meses é o fato de que, apesar dos valores serem da ordem de quase R$ 30 milhões, nenhuma empresa com experiência em transporte coletivo de todo Brasil, grande, média ou pequena, se interessou pela licitação do transporte coletivo de Porto Velho, realizada por duas vezes. Há algo no ar além dos aviões de carreira...

... além disso surgem vários questionamentos: a quebra do contrato ocorreu em abril, já não teria dado tempo de se fazer a licitação definitiva, com pelo menos três empresas? Porque não foi feita exigência de experiência comprovada na área, pois se até para contratar um pedreiro nós exigimos isso? A única ferramenta eficaz para garantir a qualidade do transporte coletivo é o monitoramento em tempo real de toda frota por GPS, esse sistema será instalado?...

... mas as dúvidas não param por aí: vai ter bilhetagem eletrônica para garantir o sistema de integração atual do cartão “Leva Eu”? As gratuidades de idosos e meia passagem de estudantes como serão garantidas no curto prazo, já que a SEMTRAN não dispõe deste banco de dados? Os mais de 1.200 funcionários que serão contratados, será pelo sistema de contratação por tempo determinado e depois irão para as outras empresas que vierem a assumir? A pequena Ocimar Transporte, que além de não ter qualquer experiência em transporte coletivo teve apenas UM funcionário registrado no Ministério do Trabalho e Emprego nos últimos anos, vai dar conta desta gigantesca tarefa?...

... portanto, me solidarizo com a indignação da população, mas entendo que a postura dos vereadores de questionar a prefeitura sobre as dúvidas acima e muitas outras que pairam no ar está correta, pois essa empresa que nunca operou transporte coletivo pode transformar o nosso sistema num caos e essa mesma população vai cobrar a omissão atual dos vereadores.


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