Sucessão familiar: agronegócio precisa ser assunto em família desde sempre *

 

Certa vez estávamos sobrevoando uma fazenda com um grande amigo e cliente e ele nos disse uma frase rindo, mas com muita sinceridade e preocupação arraigada em cada palavra: “Meu medo é que todo o meu investimento no campo pare por aqui e futuramente vire lojas no shopping”, desabafou em tom bem-humorado.

Após, em contato com os colegas de escritório, conversamos sobre o ocorrido e logo estávamos discorrendo sobre sucessão familiar, uma preocupação que precisa ser trabalhada com veemência, o interesse das novas gerações com o campo necessita de um litúrgico engajamento diário.

De acordo com a Fiesp, 53% dos pecuaristas e 77% dos agricultores estão a mais de 20 anos na atividade.

Mas a sucessão familiar ainda apresenta números motivadores, 84% dos produtores agropecuários têm mais de 35 anos e 82% dos filhos que participam da atividade têm curso superior.

De acordo com o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), o perfil do produtor brasileiro aponta para um bom nível de escolaridade, especialmente por parte dos filhos que estão ligados ao negócio. No caso dos produtores agrícolas, o tempo da família na atividade e a fatia da renda comprometida com a produção denotam um alto grau de especialização.

Para os pecuaristas, a menor participação da atividade na formação da renda total demonstra a necessidade de uma segunda ocupação além da criação, em grande parte, pelas margens menos atrativas do negócio.

A pesquisa traça o perfil do produtor rural que representa, com Grau de Confiança de 95%, o Valor Bruto da Produção Agropecuária Brasileira (VBP). Trata-se de um recorte que reflete o dinamismo do setor. São produtores que consomem tecnologias e serviços oferecidos pelas indústrias e cooperativas, destaca o IC Agro.

Digo com propriedade no assunto, conheço o tema de dentro de casa, holding familiar é um instrumento para se pensar no planejamento sucessório com foco no crescimento, inclusive economizando com impostos e taxas. [Juliane Destri]

Preparar os jovens para os negócios da família é sempre uma lição que precisa ser exercitada desde cedo, um desafio para empresas familiares se perpetuarem — geração por geração — e não tornarem lojas no shopping como temem muitos produtores.

Trocar o ar condicionado e o luxo dos centros comerciais pela poeira e atoleiro é uma missão superada pelos encantos do agro. Envolvimento familiar que necessita de empenho coletivo.

 * Créditos: Pérsio Oliveira Landim, advogado, especialista em Gestão do Agronegócio, presidente da 4ª Subseção da OAB – Diamantino (MT) / Juliane Destri, advogada, assessora jurídica da AL/MT, pós-graduanda.

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